terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Consolidação

Vindo das fronteiras, as coortes se reúnem mais uma vez em Nicius e avançam em direção à Roma, tendo Domiciano à sua frente. Conspirações, complôs, conluios, conjurações aconteciam com tanta frequência que os cidadãos romanos se acostumaram com essa instabilidade e continuavam com suas vidas ordinárias.
Domiciano chega a tempo para salvar Roma de seus inimigos, os cerca e os espreme contra o enorme muro fortificado que cercava Roma desde a época de Otávio. mas ele não foi suficientemente rápido para evitar a morte de Vespasiano.
Com o fim do conflito, Domiciano é carregado em triunfo até o Senado aonde é proclamado como o sucessor de Vespasiano. No momento em que estava para receber a unção do Papa, revela ao público sua verdadeira identidade e os motivos que o levaram ao exílio. Que sucessores venham de nobres banidos ou exilados não constitui novidade em Roma e há tempos que não é mais importante que César seja da linhagem Juliana.
Em sua aclamação, Domiciano promete o fim das guerras e a confirmação dos tratados. Ele determinou a separação entre o Império e a Igreja, ordenou uma auditoria e investigação de abusos cometidos por bispos e centuriões, decretou a distinção entre os cultos de Mithra e de Crestos.
Enquanto no mundo terreno a dita cultura civilizada assiste seus mais altos dignitários firmarem acordos e convenções que podem ou não serem observados, no mundo astral ocorre outra assembléia. De um lado, os Deuses Antigos e do outro, o Deus dos homens, a sombra da humanidade que ambicionava de egrégora se tornar o Deus Absoluto.
- O que significa isso? Vós me prometestes que eu seria Deus!
- Nunca te prometemos o trono, a coroa e o cetro, pois eis que estas coisas devem ser conquistadas. Apenas concordamos em ceder e nos afastar dos homens, para que tu pudesses seduzi-los e estes devem escolher se submetem a ti ou não.
- A humanidade tem de submeter a mim, pois é viciosa, cruel e maldosa. Somente se submetendo a mim é que a humanidade será purificada!
- Tu ainda não percebeste que foste formado das paixões humanas, mas que te é preciso te fizeres de santo, pois é através da busca da virtude que tu podes dominar a humanidade.
- As paixões são a fraqueza da carne e deste mundo, mas eu venci este mundo!
- Cuidado com o que tu dizes. Nós te geramos do Espírito Humano que, para se desenvolver e amadurecer, tem que resolver o dilema entre o espírito e a carne, não pelo conflito, mas pela comunhão. Enquanto não perceberes e aceitares que não há separação entre espírito e a carne, entre o mundano e o astral, há de reinar conturbado contigo mesmo.
- O único conflito que existe é entre eu e Satan.
- E quem é Satan senão um reflexo de ti mesmo? Tu estás tão deslumbrado com a fantasia que criaste para seduzir os homens que começa a crer que ela é real.
- Eu não vos temo, vosso tempo acabou, nada nem ninguém pode me deter.
- Enquanto o Espírito Humano te conceder, tu serás adorado por muitos nomes. Tu serás conhecido por Ormuz, Yahveh, Mithra, Yeshu, Buda, Krishna, Razão. Por aquilo que representas, os homens estarão dispostos a matar e a morrer. A terra se embebedará com sangue e tu te fartarás com almas. O Aeon de Áries dá lugar ao Aeon de Peixes e este findará ao chegar o Aeon de Aquário. Este é o ciclo da Vida, tudo muda, tudo gira. Rei do Inverno, aproveite teu reinado, pois por mais terrível e absoluto que seja tua coroa, o Espírito Humano há de despertar e a Antiga Religião há de retornar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O confronto

O cenário na fortaleza de Argentum era desolador. Domiciano e Silvano percebem que boa parte da paliçada estava destruída. Os legionários deram as boas vindas ao reforço enquanto colhiam os corpos de seus colegas e os enterravam.
As boas vindas foram interrompidas pelos zunidos de várias flechas que atingiram os sacerdotes Crestanos que vinham no contingente. quando Domiciano ordenou o posicionamento das máquinas de guerra para que atirassem na direção de onde vinham as flechas, estas é que foram atingidas por bolas de fogo que as inutilizou ou destruiu.
Domiciano investigou em uma das máquinas que puderam ser resgatadas o que a atingiu. De alguma forma, os Saxões podiam atirar bolas feitas de algum tipo de betume que era incendiado. Assim mesmo, ordenou que as máquinas restantes atirassem tudo que podiam na direção de onde veio o ataque e em seguida ordenou a carga dos legionários.
Enquanto enviava um mensageiro pedindo mais reforços e mais máquinas, Domiciano embrenhou-se na floresta cerrada junto com seus legionários para combater os Saxões.
Os Saxões tiravam proveito da floresta, escondendo diversas armadilhas para pegar os legionários ou usando a familiaridade que tinham com o terreno para pega-los em pequenas emboscadas, eliminando aos poucos o Exército Romano.
Os Saxões não se rendiam, se capturados encontravam um jeito de cometer suicídio antes que fossem torturados. Havia disposição, organização e estratégia entre os saxões o que fez com que Domiciano gostasse de ter enfim um exército que valorizasse a beleza da batalha para enfrentar. Espada contra espada, lança contra lança, flechas zunindo de ambos os lados e a matança seguia sem misericórdia.
Em um momento, em uma clareira, encotraram-se Bran e Andros de um lado e Domiciano e Silvano de outro. Por alguma força inominável, ninguém mais entrava naquela clareira e os combatentes pareciam ter definido seu adversário muitos anos antes.
Domiciano encara Bran e lembra do encontro que tiveram em Roma há dez anos atrás. Muita coisa mudou, cada um passou por experiências que os amadureceram, mas Bran ainda exala uma aura que causa em Domiciano um sentimento de medo e reverência.
Silvano nunca havia conhecido Andros, ao menos na vida presente, fato que Andros leva em consideração pelo sentimento de ódio tão forte por aquele centurião.
Silvano não acredita nas coisas que o Império Romano lhe exige acreditar e lembra muito pouco das crenças de seu tempo de infância. Tudo que ele sabe e pensa é em lutar e vencer, então parte para atacar Andros e cumprir com seu destino.
Domiciano suspira, ele prefere postergar o conflito, mas não tem escolha. Ele foi destinado a isto e ele representa Roma e Deus. Ele luta com Bran e consigo mesmo, com uma parte dele que nasceu e foi criada na Religião Antiga, luta para vencer seu passado, luta para ganhar seu futuro.
Silvano luta com Andros e se surpreende em encontrar um pagão com um domínio tão refinado da espada. Faíscas saem das espadas enquanto seguem em um balé sequenciado de ataques, defesas e contra ataques. Um corte aqui, uma ferida ali, sangue escorre e espirra, não há hesitação ou vacilo.
Andros consegue golpear Silvano, mas também é atingido. Em um giro, Andros se livra da dor e da espada de Silvano e o golpeia novamente nas costas para encerrar o combate.
Silvano cai sem vida ao solo junto com a chuva e Andros encosta em um carvalho próximo. Sentindo suas forças se esvairem aos poucos, Andros observa o campo de batalha cheio de corpos e poças de sangue, como uma pequena amostra do que estava por vir. Em seu último fôlego, ele vislumbra os Mistérios Antigos desvelados e morre sorrindo.
Domiciano pega e atira um machado que estava caído próximo de um soldado Saxão na direção de Bran, mas não para acertá-lo, seu alvo é uma árvore que um espírito ou anjo enviado por Deus lhe indicou como sendo a fonte do espírito de guerra dos Saxões e do poder de Bran. O machado parte a árvore sagrada deixada pelos Deuses no lugar onde antes estava Ketar.
Por alguns instantes, silêncio e paz, mas os Saxões não pareciam estar dispostos a se renderem. O clima de tensão está alto quando chega um mensageiro vindo de Roma com uma ordem urgente do próprio César.

Vespasiano César, Imperador pela graça de Deus.
Eu convoco para que retornem imediatamente a Roma os comandantes Silvano e Marco, com todas as coortes que estão sob suas ordens, prontos para combater a conjuração formada por senadores, consules, governantes e bispos romanos orientais que vem, seguindo as ordens do General da Maldade, Satan, para tomar e usurpar a coroa de Roma.


Domiciano ordena a retirada do que sobrou de seu exército e envia mensageiros uma cópia da convocação para todas as fortalezas dos territórios conquistados, certo de que este é um sinal de Deus de que ele está marchando para seu triunfo e glória como César, como lhe fora prometido.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Combatendo os Pagãos

Os comandantes seguem de Nicius até Bergumum para conhecer as condições das coortes ali acampadas e as condições do campo de batalha.
Na fortaleza em Bergumum, foram tratar diretamente com um centurião que era também o bispo local que lhes relatou sobre os Dácios, o povo pagão que mais resistia e guerreava contra a Igreja e o Império de Roma.
- Os Dácios se orgulham de ser descendentes dos Frígios e adoram um Deus-Lobo. Os povoados conquistados se mostraram dóceis, mas nossas igrejas são imediatamente atacadas e destruídas nos ataques, onde os Dácios costumam comemorar queimando os pergaminhos com a santa palavra junto com meus sacerdotes.
- Eles são organizados?
- Não parece, mas o ataque de surpresa feito em cargas rápidas nos tem mantido ocupados.
- Muito bem. Construamos mais uma vez a última igreja que foi destruída, para atrair o ataque de um destacamento.
O centurião-bispo torce seu rosto, mas obedece com medo da represália que sofreria de Vespasiano. Reuniu os construtores e lhes prometeu proteção e mais ouro para reerguerem a Igreja de Panônia. Entre os pedreiros e carpinteiros, Domiciano misturou legionários disfarçados e postou uma coorte em um local oculto da vista. Não demorou muito, bastou juntar algumas pedras para as fundações para que os Dácios fizessem seu ataque.
Os Dácios eram muito parecidos com os Godos, mas eram mais morenos e seus trajes pareciam ser feitos de linhas com cores diferentes.
No momento certo, os legionários disfarçados avançaram em um contra-ataque, causando surpresa e desorientação nos atacantes. Quando estes se agruparam para rechaçar os legionários, foram cercados pela coorte e rendidos.
Com os prisioneiros, através de tortura, Domiciano extrai o que pode sobre posições, acampamentos, armamentos e organização do exército dos Dácios.
Mesmo não sendo uma informação completa ou confiável, o bispo-centurião consegue reverter a desvantagem e conquista de forma concreta a região da Panônia.
Satisfeito com o resultado, Domiciano e Silvano seguem para Tullum. O centurião local lhes informa que ali o combate é contra os Francos.
- Os Francos se dizem descendentes dos Celtas e adoram uma Deusa-Lua. Constantemente ouvimos seus tambores, cítaras e flautas soando entre as árvores, anunciando suas cerimônias satânicas. Quem tenta se aventurar por estas florestas acaba esfolado e pendurado nas árvores.
- Muito bem. Tu fizeste as adaptações nas máquinas de guerra?
- Sim e estão prontas para uso.
- Postem as máquinas de guerra e despejem o máximo de fogo grego que puder na direção que os Francos podem estar. Na clareira formada pelo fogo, construa uma Igreja Romana e na cerimônia façam com que essa Deusa-Lua seja caracterizada como um demônio.
O centurião usa todo o estoque, causando uma grande destruição na floresta densa e na clareira aberta improvisa um altar Crestano onde se realiza a cerimônia combinada. Como esperado, os Francos tentam impedir a cerimônia, quando então são vencidos, capturados e torturados. Na manhã seguinte a região do Reno pertencia ao Império Romano.
Sem demora, Domiciano e Silvano partem para Belginum encontrando uma situação diferente. Ali, o centurião tinha problemas de ordem doutrinária entre os Germanos. Parte da região dominada por Roma ainda resistia às encíclicas do Papa e a parte setentrional resistia à idéia de um Deus que se sacrifica ao invés de cair em combate.
A contragosto, Domiciano deu lugar ao seu lado ministerial, reuniu os sacerdotes Crestanos na Germânia Meridional e discutiu os pontos controversos. Na Germânia Setentrional, Domiciano usou do mesmo artifício usado por Cláudio César e comprou o apoio dos reis locais para a causa de Roma.
Sem ser preciso dar uma simples flechada, a conquista da Germânia é consolidada e uma gigantesca missa é celebrada. No dia seguinte, Domiciano e Silvano seguem até Argentum, de onde ouviram rumores sobre os Saxões.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Domiciano se torna comandante

Vespasiano chega em Nicius e trata de melhorar as condições de sua estadia. Ele calculou que o tempo necessário para chegar em Nicius seria o suficiente para que seus mensageiros conseguissem convocar os centuriões e que estes chegariam junto ou antes que o comandante Derico.
No final da tarde, o comandante Derico chega com uma pequena comitiva na coorte em Nicius e se apresenta com a ordem de César, tendo ao seu lado o centurião Silvano e o sargento Domiciano. O legionário, previamente instruído, conduz o trio a uma sala de espera, para então avisar por meio de seus superiores, ao César da chegada do comandante.
Vespasiano estava farto das desculpas dos centuriões e os mandou para o carrasco, colocando todas as tropas sob o comando dos centuriões que ele conhecia e confiava. Ele mandou entrar a Derico e não fez muita questão de seus acompanhantes.
- Muito bem, Derico, eu ouvi teus centuriões e agora quero saber de ti a razão de teus fracassos.
- Meu Divino César, apesar de estar batalhando ferozmente contra os Godos, eu mantinha as demais frentes com instruções precisas e se ali não houve vitória foi por indisciplina dos centuriões.
- Tu estás tentando te esquivar de tua responsabilidade? Os centuriões foram nomeados por ti e, se estes eram indisciplinados, tu os deveria substituir.
- Meu Divino César, eis que comigo estão o centurião Silvano e o sargento Marco. Estes receberam as mesmas instruções e foram vitoriosos, o que demonstra minha capacidade. Se eu tivesse substituído os centuriões toda vez que houvesse derrota o moral das tropas cairia e eu perderia a linha de comando.
- Eu ouvi alguns boatos sobre esses soldados. Centurião Silvano, se o sargento Marco não fosse satisfatório em suas funções, o que tu farias?
- Ele seria imediatamente rebaixado.
- E se as tropas não trabalhassem com o novo sargento ou mostrassem falhas na disciplina?
- Todos enfrentariam a corte marcial e seriam punidos conforme a regra.
- Sargento Marco, o que tu farias se as condições no campo de batalha mostrassem que a estratégia do centurião Silvano são ineficazes?
- Conforme a regra, eu teria que procurar a solução que melhor se encaixasse nas condições do campo de batalha e enviaria um relatório ao centurião Silvano.
- Então, comandante Derico, teus subordinados conhecem melhor do ofício militar que tu e teus centuriões? Aqui tens tuas ordens. Dirija-se ao patíbulo e mostre que realmente é um soldado honrado.
O comandante Derico segura com as mãos tremulas a ordem dada por Vespasiano, faz uma misura e se retira da sala. Sem hesitar um instante, Vespasiano promove o centurião Silvano e o sargento Domiciano logo que o comandante Derico sai da sala.
- Muito bem, comandante Silvano e comandante Marco. Vós deves seguir até as oito frentes para tomarem as devidas providências. Nestes pergaminhos estão os relatórios com as condições de cada frente, bem como minha autorização total para utilizarem quaisquer meios e recursos, desde que vós me garantis a vitória. Então leiam e digam-me agora do que vós precisais.
O som seco de um machado vindo do patíbulo faz o comandante Silvano tremer todo, mas o comandante Domiciano não se abala, rapidamente lê os relatórios e esboça uma estratégia.
- Meu Divino César, eu vos peço que espesses uma ordem a todas as frentes para dotarem as alterações nas máquinas de guerra como as que fizemos contra os Godos. Eu vos peço que nos conceda mais três coortes para cada uma das frentes, armadas da mesma forma que estivemos armados contra os Godos. Por fim, eu vos peço que ordene aos centuriões que nomeiem sargentos para conduzirem os pelotões, em grupos de nove e em quatro linhas, com a mesma formação usada contra os Godos.
- E tu achas que a estratégia usada contra os Godos será bem sucedida contra os demais povos pagãos?
- Em termos gerais, sim. Conforme nós estivermos no campo de batalha, nós faremos as adaptações necessárias.
- Excelente! Comandante Marco, tu és um exemplo a todo soldado romano! Deus abençoe tua firmeza e determinação! Avante!
Domiciano faz uma misura e trata de por seus planos em execução, sendo seguido por Silvano, ainda trêmulo.
- Estamos condenados! Nós seremos descartados como o comandante Derico!
- Não, meu colega, apenas Deus pode julgar. Mas quem se arrepende de seus pecados e aceita o Senhor Yeshu Cresto como seu Salvador, não será condenado nem morrerá, pois o Senhor nos garante a Vida Eterna.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Bizâncio derruba Roma

Vespasiano recebe, no palácio imperial do oriente, inúmeros relatórios das vitorias do Exército Romano em espalhar a Igreja de Roma por todo o oriente e além. Mas ele fica mais satisfeito com os relatórios de seus agentes infiltrados nas frentes sob as ordens de Vitélio contando as parcas vitórias e muitas derrotas.
Assim que Vespasiano recebe a confirmação da tomada de Lívia, a cidade no mais extremo oriente, ele envia mensageiros aos senadores e bispos de Roma, com uma mensagem ousada.
Vespasiano César, Imperador da Roma Oriental, saúda aos nobres representantes do povo Romano e os sagrados representantes de Deus.
Eu vos anuncio, sem falsa modéstia e humildade, o completo sucesso na campanha de conquistar os povos pagãos para o Nosso Senhor, ao menos nesta parte oriental. Bizâncio pode se orgulhar de ser a capital da Igreja de Crestos, mas perceber que sua irmã, Roma, ainda está abandonada aos agentes de Satan devido à timidez e à fraqueza de Vitélio César, Imperador da Roma Ocidental.
Por Deus e por Seu Filho, Bizâncio irá marchar até Roma para salvaguardar os santos de Deus, as santas igrejas e todos aqueles que devotam a crença sagrada.
Eu envio a vós a súplica para que nos dêem a permissão e as bênçãos para afastar os que são fracos na fé ou no braço, para que os verdadeiros soldados de Deus levem a Palavra, a Verdade e a Salvação aos povos que ainda resistem nas sombras malignas do paganismo.
Pelo bem de Roma, em nome de Deus, que eu possa ser aclamado por vós como César de todo o Império e possa dar-vos o Reino de Deus que nós desejamos.
Em seguida, envia ordens a todos os comandantes e centuriões que estavam em campanha pelo oriente para que retornem a Bizâncio e se preparem para cercar e invadir Roma. Em algumas semanas, todos os centuriões e comandantes chegaram e acamparam em volta de Bizâncio, aguardando a ordem oficial de Vespasiano, sem questionar, pois sabiam muito bem que podiam ser mortos e substituídos.
Vespasiano olha com satisfação a extensão do seu exército, pronto para realizar o mais mínimo desejo de seu coração. Sem esperar a resposta de Roma, ele sai até a sacada de seu escritório e, entre salvas e aplausos dos legionários, declama sua ordem.
- Soldados de Deus, avante até Roma! Nós vamos ou nos juntar com outros soldados de Deus ou nos bater com os soldados de Satan. Deus esteja conosco e nos abençoe!
Vespasiano marchou e é recebido como verdadeiro César na Macedônia, na Etrúria e em Venetia. Nas portas de Roma, a Guarda Pretoriana traz até ele o humilhado e destronado Vitélio César. Os senadores entregam a ele a coroa e o cetro que antes pertenciam a Vitélio. Os bispos excomungam e decretam nulas todas as unções dadas a Vitélio e confirmam a unção de Deus a Vespasiano como único e legítimo César.
Vespasiano, entusiasmado e inflado por ter sido reconhecido como se julgava merecedor, coloca Vitélio de joelhos e o decapita com seu gládio.
- Que todos vejam e saibam! Deus não aceita fracos, tímidos, inseguros ou hesitantes. Que os povos pagãos tremam, ajoelhem-se e se convertam ao Senhor ou pereçam pela espada!
Vespasiano marcha então em direção à Gália, ordenando a presença do comandante Derico em Nicius, para revisar as estratégias de campanha e exigir resultados positivos em todas as frentes.
Nos territórios Godos conquistados, o comandante Derico recebe a ordem com evidente nervosismo e resolve garantir a saúde de seu pescoço ordenando que o centurião Silvano e o sargento Domiciano o acompanhem.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Batismo de sangue

No dia seguinte, o comandante Derico, juntamente com o centurião Silvano, entrou com o batalhão na floresta cerrada, seguindo a trilha que os novos sargentos indicavam, na formação que Domiciano havia recomendado, usando as máquinas de guerra para remover as árvores, pedras ou rochas que estivessem no caminho.
- O que tu achas da estratégia de Marco, centurião Silvano?
- Eu não vi formação como esta, comandante e receio que essa incursão em grupos de nove, em colunas distantes a nove passos, pode propiciar os ataques de emboscada.
- Eu fico intrigado com o uso das lanças mais curtas e leves nas fileiras secundárias e a batida forte e ritmada dos gládios nos escudos nas fileiras primárias. Como poderemos cercar e surpreender o inimigo fazendo tanto barulho?
- Eu acho que o barulho serve mais para provocar do que assustar. Ele deve estar contando que os rebeldes tentem atacar de surpresa os grupos, para então cercá-los.
- Eu gostei da última recomendação. Ele disse aos legionários que mantivessem a formação em qualquer circunstância.
Distante da conversa entre os superiores, no fronte das primeiras fileiras, Domiciano segue os sinais que ele conhecia, sabendo que era uma questão de tempo antes de ter algum ataque ou de se depararem com um acampamento rebelde.
O soar de um chifre anunciou o ataque esperado e logo a Segunda fileira avança contra os rebeldes, pelos flancos com as lanças, dando à fileira da frente um corredor seguro para avançar contra o bloco central. Domiciano contava com essa formação militar no ataque dos rebeldes, uma vez que eles foram treinados pelo finado centurião Lapidatus.
Uma Segunda carga de rebeldes aparece mais atrás, com as lanças mais longas e pesadas. As colunas recuam para atrair a Segunda carga mais para frente, até que fiquem na mira das máquinas de guerra, que estraçalham a segunda carga.
Assim, palmo a palmo, o exército faz sua incursão até os acampamentos, que são cercados e atacados com as catapultas carregadas com o fogo grego. Mas a preocupação central de Domiciano estava nos Godos e nas estratégias de batalha destes. As pesadas máquinas de guerra fazem um bom trabalho, ampliando a trilha e apoiando a formação, mas limitam muito o alcance e a velocidade da campanha.
Uma saraivada de flechas incendiárias zunem por entre as árvores e acertam com precisão as máquinas de guerra, mostrando a presença de algum exército organizado bem próximo. Uma carga de soldados barbudos, sem uniforme, atacando a coluna romana com machados, sem um foco ou formação indica que, enfim, se combate os Godos. Seguindo as instruções de Domiciano, uma terceira fileira se forma, composta por arqueiros que atingem os soldados mais adiantados e uma quarta fileira se forma por lanceiros que atinge o meio da carga com as lanças mais longas e pesadas.
Depois deste contra ataque, a primeira e Segunda fileiras avançam em formação contra o restante da carga, mas não perseguem os soldados Godos quando estes se dispersam.
Com poucas baixas e perdas materiais, o exército finalmente chega a uma cidade fortificada, sem dúvida construída pelos Godos devido aos inúmeros cadáveres de soldados romanos que enfeitam a paliçada.
Aos poucos, as máquinas de guerra se posicionam e despejam sem misericórdia sua carga letal na cidade fortificada. Com parte da paliçada destruída ou incendiada, os habitantes saem com armas improvisadas para combater os Romanos, sem medo da luta ou da morte.
Contra ancinhos, lanças; contra foices, espadas; contra um ataque feérico e desorganizado, a movimentação fria e cirúrgica; contra homens, mulheres, jovens e crianças, solados forjados e acostumados à batalha. Quando o comandante Derico e o centurião Silvano chegam ao sítio, a cidade fortificada está destruída e tomada, os soldados se divertem com os prisioneiros e repartem o butim.
Domiciano surge do meio do campo de batalha, todo coberto de sangue e exausto, para fazer um pedido inusitado ao comandante, sem ter muita noção do significado de seu ato.
- Meu senhor, nós vencemos por Deus. Eu vos peço que seja erguida uma Igreja Romana nesta cidade e que sobre as ruínas deste povo seja rezada uma missa pela conversão dessas almas perdidas.
- Meu jovem, não apenas isto será feito como também eu te indicarei para a Guarda Pretoriana, para que sua carreira seja um exemplo a todos os que servem a Deus!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Jogos de guerra

O comandante Derico subdivide o enorme batalhão em oito frentes ao entrar na Gália, para que pudesse se infiltrar melhor através das fronteiras, entre os povos pagãos. Chegando em Nicius, as frentes seguiram para Genua, Bergumum, Tullum, Licium, Belarum, Argentum, Belginum e Lugdunum.
Mesmo com um oitavo do que era, o batalhão ainda causa espanto e comoção ao chegar na cidade fronteiriça de Belarum e o comandante Derico é recebido efusivamente pelo centurião Silvano.
- Ave, comandante Derico, seja bem vindo a Belarum. Nós os estávamos esperando, nós torcemos muito para termos a sorte de vos receber.
- Ave, centurião Silvano. Eu creio ser desnecessário lembrá-lo de que nós não viemos aqui a passeio, mas para cumprir nossa sagrada missão dada por César, pelo Papa e por Deus.
- Certamente, certamente. Os editais de nosso Divino e Augusto César nos chegou em bom tempo, nós temos muitos problemas com os rebeldes e os Godos.
- Rebeldes? Conte-me mais sobre eles.
- Meu senhor, é com vergonha que devo vos dizer que o governador comandante Lapidatus, nomeado por César para cuidar desta coorte e desta região, não apenas rejeitou a Igreja de Roma como se associou ao pior tipo de culto a Satan. Após uma dura e árdua batalha, conseguimos cercar e executar os líderes, mas alguns seguidores debandaram para a floresta cerrada, onde ainda vivem fazendo escaramuças contra nossas patrulhas.
- Entendo. E quanto aos Godos?
- Meu senhor, na palavra de um legionário, os Godos são os demônios em pessoa. Existem partes da floresta que simplesmente devoram vivos os santos de Deus.
- Isso é o que veremos. Eu gostaria de conversar com as patrulhas que conheçam um pouco esta floresta e a nossos inimigos.
- Sim, senhor. Imediatamente, senhor.
Silvano ordena ao oficial do dia que se dê o toque de reunir para todas as patrulhas, trinta grupos com até cinco pessoas que escolhiam para si uma alcunha. Entre estas, estava a patrulha dos cães que sempre era posta em último lugar nessas reuniões. O centurião faz uma breve preleção, apresentando o nobre visitante que então faz seu discurso aos legionários.
- Legionários! Eis que vos dou uma oportunidade inigualável! Quem dentre vós se oferece para comandar, junto comigo e o centurião Silvano, o Exército Romano em uma campanha contra os rebeldes e os Godos?
Um grande burburinho toma conta do pátio, enquanto os grupos discutem entre si. Por mais que tenha vindo um enorme reforço, os legionários sabem por experiência própria que isso não é vantagem na floresta cerrada. As patrulhas foram diminuídas de dez para cinco homens exatamente para minimizar as baixas.
Domiciano sentiu um comichão, como se uma mão poderosa o estimulasse e se apossasse dele, o fazendo se aproximar e se apresentar, dizendo algo que ele mesmo não entendeu o significado naquele momento.
- Envia-me a mim, Senhor.
O velho Patmos corre desesperadamente até onde Domiciano estava, sendo seguido pelos demais da patrulha dos cães, sem entenderem muito o que estava ocorrendo.
- Meu senhor, perdoe o ímpeto desse jovem legionário, ele não está em seu juízo perfeito.
- Quem me dera ter mais iguais a ele! Quem és tu, legionário?
- Marco, meu senhor.
- Meu senhor, ele é muito jovem e está na pior patrulha desse campo. Ele mal tem barba, como pode comandar?
- Isso é verdade, Marco?
Mais uma vez, as palavras vêm aos lábios de Domiciano, sem que ele se dê conta do significado.
- Deus escolhe os pequenos para humilhar os grandes e os últimos serão os primeiros.
- Pois me parece que este jovem demonstra a unção de Deus sobre ele. E tu, velho legionário? Pretende continuar vivendo com uma alma morta? Ou prefere avivar a alma e morrer para o mundo, confessando a Yeshu Cresto como teu Senhor?
Patmos empaca, engole a seco, e fica suando frio. Baruc o cutuca, mais por instinto de sobrevivência.
- Aceita, pelas barbas de Ormuz! Eu não me incomodo de fingir ser Crestano se isto vai tornar-me rico!
Assim, diante do comandante Derico, há uma verdadeira conversão em massas daqueles legionários, que foram batizados pelos sacerdotes que estavam na campanha.