sexta-feira, 27 de abril de 2007

Levantando o véu

Durante sua caminhada até Lívia, Andros conhece um velho pitoresco, que contava as mesmas lendas e sagas que ele conhecia, mas deixava o velho contar assim mesmo porque sempre se admirava com as variações e entonações dadas pelos cronistas.
- Eu venho de uma ilha chamada pelos romanos de Bretanha. Nós demos trabalho aos romanos, resistimos bastante com a ajuda dos druidas.
- Eu não conheço tua ilha, em minhas viagens eu fui até Etrúria. Eu não conheço os druidas, mas conheci os augures romanos.
- Tu irias gostar de conhecer. Ali as sacerdotisas dos cultos antigos celebram juntamente com druidas e romanos em círculos no meio das florestas.
- Eu conheci os Mistérios Antigos nos templos de Ephesus, me espanta saber que eles chegaram tão longe.
- Eu garanto, caro jovem, que aquilo que aprendeu em Ephesus é igual ou semelhante ao que aprendi em Glascow. Tudo começou bem por aqui, com os Kurgans vindo de Lívia, para aumentar o Império Ariano. Eles chegaram em Bizâncio, Etrúria, Gália, Saxônia e então Bretanha.
- Os Ritos Ancestrais são celebrados nos solstícios e equinócios, nas vésperas das Estações e em dias de lua cheia? Há um sacerdote e uma sacerdotisa que executa os Ritos de Fertilidade? Há a nudez ritual, técnicas para a alteração do estado de consciência? Há celebrações com comida, bebida, música e amor?
- Oh certamente que sim, os Kurgans aprenderam isto com os Celtas e estes se misturaram com os hábitos de meu povo. Os Mistérios Antigos viverão para sempre.
- Eu não tenho tanta certeza. Eu vim de uma cerimônia de esbath, feita no lago da Galiléia pela mais bela sacerdotisa dos Ritos Ancestrais que eu conheci. Ela revelou que o mundo será dominado e sofrerá nas mãos dos seguidores do Deus Vivo.
- Eu tive a mesma visão em meu círculo, meu jovem. Ao que tudo indica, os Deuses Antigos estão permitindo que alguns povos escolham, dentre seus Deuses, um apenas para adorarem. Haverão tempos e que pessoas como nós serão perseguidas, presas, torturadas, banidas e mortas. Isto tem algo com a Era em que estamos, a Era de Pisces. Mas apesar de todas as guerras, prisões, perseguições e mortes, os Mistérios Antigos serão preservados dentro dos círculos e secretamente pelos sacerdotes do Deus Vivo.
- O que o faz vir até Lívia de tão longe, então?
- Eu procuro pelo chifre amalteano. E tu, jovem?
- O mesmo que o senhor, mas talvez por motivos e objetivos diferentes. Muito embora eu não saiba onde procurar e com quem falar. Eu não possuo cartas de referência.
- Não se preocupe, mesmo que tenha saído de seu templo em Ephesus sem que sua sacerdotisa saiba ou tenha concordado com sua aventura, tu deve ter recebido um voto de confiança.
- Eu espero que sim, eu venho de uma experiência conflituosa com a jovem sacerdotisa que conheci em Esmirna, a mesma que celebrou o esbath no lago da Galiléia e me expulsou de seu círculo.
- Meu jovem, ela levantou o véu em sua presença?
- Sim e fez a mim e outros tantos celebrarem o Grande Rito com as sacerdotisas que ali estavam.
- Então, meu caro, naquele instante, todos os véus foram erguidos. O que te falta é entender o que aconteceu depois da cerimônia.
- O senhor acha que eu poderei encontrar esta e outras respostas com o chifre amalteano?
- Não, nada que há fora de nós pode realmente nos dar aquilo que deve ser encontrado dentro de nós.
- Se encontrarmos o chifre amalteano, como compartilharemos seu poder?
- Da mesma forma que se compartilha a energia da magia. Veja bem, não há dissipação da energia da magia porque não há lugar onde não há a presença da energia da magia. O brilho e o calor do sol não se dissipam, porque a magia seria diferente?
- Assim como no Alto, se manifesta no Mundo.
- Exatamente, vejo que realmente és um Iniciado. Como é teu nome?
- Andros e o teu?
- Pode chamar-me de Scire.

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