sexta-feira, 27 de abril de 2007

Rumo à Galiléia

Lapidatus estava voltando de sua ronda na estrada para Antioquia, junto com sua legião, satisfeito com o bom resultado da campanha. O pretor Tarsis, coordenador da Região de Persus, sempre ficava preocupado com a chegada do dia das caravanas de peregrinos que vinham de diversas partes para a cidade de Arcádia, para cumprir seus votos sagrados. Quando o Império Romano tomou toda a terra dos Aqueus, Assírios, Persas, Cananeus e Egípcios, era bem sabido que as caravanas eram uma grande oportunidade para bandidos e foragidos passarem de uma cidade a outra, causando tumultos e confusões. Desde que Lapidatus foi incumbido de cuidar da rota que liga Haifa a Antioquia, que suas campanhas são bem sucedidas, a espada não foi poupada para resolver eventuais problemas, não faltava espaço, terra e areia para enterrar os corpos. Ele ficou intrigado ao ver ao longe, vindo em sua direção, a bela e jovem sacerdotisa Ketar, aparentemente sendo seguida por um grupo logo atrás. Primeiramente ele suspeitou que devia ter acontecido algo com ela e o templo dela em Esmirna, então achou melhor interceptar para ver o que podia fazer por ela.
- Saudações, Santa Senhora. Eu me sinto muito honrado em encontra-la no meio dessa terra árida.
- Saudações, Centurião Lapidatus. Nós esperamos contar com a tua presença e a de teus soldados em nossa próxima celebração.
- Fico contente em vos dizer que o comandante de nossa coorte concedeu uma semana de folga por estarmos próximos das festividades a Apolo. Eu garanto que estarei em vosso templo. Há tempos desejo festejar os Mistérios Antigos sem as influencias urbanas e gregas.
- Tua devoção aos Deuses Antigos é tocante e invejável, se nós não soubéssemos que se trata de um pretexto para nos ter em um leito.
- Santa Senhora, eu considero isto como um bônus. Eu me preocupo com Vossa Santidade, tanto que me intriga o motivo de vossa presença nesta estrada.
- Nós te diremos, porque tu nos agrada muito. Nós estamos indo para Siloe, na Galiléia, a fim de nos banhar nas águas do lago.
- Eu fico satisfeito em saber que não tivestes problemas em Esmirna, mas certamente os encontrareis na Galiléia. Naquela região existem muitos relatos de grupos hebreus rebeldes em torno de um movimento messiânico, que tenta resgatar todo o povo de Israel ao culto de Yahveh e reconstruir o Reino de Judá. Estes grupos estão indo na mesma direção dos persas e, se me lembro bem, que o faraó Akenat II.
- Acaso acha que nós saímos do Egito porque nós não tínhamos como nos defender?
Lapidatus tem uma boa experiência em lidar com soldados, com pessoas e seus superiores. Ele tinha uma boa habilidade em conversar e dialogar, mas certamente conversar com a jovem Ketar não é algo fácil. Havia algo em sua pose e olhar que faria tremer mesmo a uma pessoa comum.
- Eu espero nunca presenciar vossa fúria. Ainda assim eu vos peço que permita que vos acompanhe nesta jornada.
- Que seja! Nós temos em nossas costas sete pesos, tu e tua legião devem animar um pouco a viagem.
Lapidatus compreendeu perfeitamente o pedido de Ketar. Ordenou a seus homens que guardassem as espadas, no lugar de escudos e lanças, para que toquem tambores e flautas, enfeitassem com ramos de folhas os estandartes com os símbolos da coorte e de Roma. Os soldados construíram rapidamente uma carroça para levar os armamentos e com os tambores e flautas militares, começaram a entoar cânticos a Marte, Janus e Plutão. O esperto Lapidatus seguiu em seu cavalo bem ao lado de Ketar, falando de suas batalhas e de suas aventuras sobrenaturais. Ketar se divertia, pois ela estava sendo tratada como uma mulher, ser sempre tratada como santa confundia muitas vezes seu séquito como sendo imaculada, inalcançável, intocável. De vez em quando ela gostava de ouvir um homem sendo vulgar com ela, sem ter vergonha em mostrar o desejo carnal que sentia por ela.
Ao longe, logo atrás, como se estivessem isolados, seguiam os outros homens. Yussef, Andros, Parsis, Roe e Platão, que não estavam gostando nada desse acréscimo masculino. Ketar, para testar e provocar as jovens sacerdotisas, as chamou para junto de si, para igualmente serem reverenciadas, elogiadas, seduzidas e desejadas por tantos homens ao mesmo tempo. Ketar estava formando um plano em sua cabeça e isto a deixava satisfeita consigo mesma por esta iniciativa de ir ao lago da Galiléia, que estava se mostrando uma promissora manifestação da vontade dos Deuses.

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