quarta-feira, 30 de maio de 2007

Entardecer em Bizâncio

Andros e Scire bebem vagarosamente uma das dezessete variedades de cerveja, observando o frenesi do fluxo das pessoas, das mais variadas etnias, línguas e credos, convivendo tão tranqüilamente, que a ameaça de uma Teocracia se torna um mero sonho ruim passageiro.
Bizâncio era, desde antes da chegada dos Romanos, uma cidade que tira sua força e poder desse fluxo livre de pessoas, a tornando um importante ponto de comércio e riqueza. Os Romanos souberam aproveitar bem desta Princesa do Oriente, a tornando como uma Segunda Roma, tanto política quanto militarmente, de forma que ali poucos exércitos ousariam invadir. Quando os Persas foram expulsos de lá, não houve batalhas, mas somente acordos diplomáticos. O equilíbrio do Oriente Médio dependia da manutenção de Bizâncio.
- Eu imagino como seria o mundo conhecido se as cidades tivessem um pouco desta paz.
- Seria muito tedioso. Nosso mundo precisa de contrastes, diversidade, conflitos, para que nós possamos crescer, jovem mestre.
- Mas eu temo que em breve haja uma comoção no mundo e esta parte mais baixa da humanidade acabe por dominar.
- Aproveitemos bem esta cerveja, neste entardecer em Bizâncio, jovem mestre, pois isto irá ocorrer muito em breve.
- Sim, eu lembro como doeram nos meus ouvidos o som grave e fúnebre do vaticínio dos Deuses. Mas por que, em nome dos Deuses, a humanidade trocaria a paz pela guerra?
- Isto faz parte do crescimento de nossa raça, jovem mestre. Antes nós mal compúnhamos de pequenos clãs, tentando sobreviver. Com forme nos espalhamos, os clãs se expandiram e surgiram cidades Estados, Reinos. Quando os povos se encontraram, o choque do diferente produz medo e violência, surge uma necessidade de distinção. A paz que vemos é frágil, sustentada mais por interesses políticos e comerciais do que pela vontade humana.
- Ainda me custa aceitar os rumos do destino humano.
- Eu sei que é terrível, mas infelizmente a humanidade escolheu aprender pelo sofrimento. No momento, nós precisamos decidir o que vamos fazer. Daqui tu podes ir a Ephesus ou ir comigo a Bretanha. No caminho, passaremos pela Etrúria e Gália. Tu poderás ver como se estendeu pelo mundo a Velha Religião.
- Excelente idéia. Quando eu andei de Esmirna a Lívia, notei tantas formas diferentes de celebrar os Ritos Ancestrais, eu imagino como serão as cerimônias Gaulesas e Bretãs. Eu gostaria de ir ao Egito, mas tem a reforma do faraó. Ou ir às ruínas da Suméria, se não fosse pela presença dos Persas.
- Tu verás muitos santuários nas encruzilhadas das estradas, com oferendas aos pés de Hecate, a Rainha das Bruxas. Com sorte, veremos algumas trabalhando.
- Por quais cidades passaremos?
- Algumas poucas urbanizadas como Nicius, Aquiléia, Ligúria, Lutécia e Londinum. Mas veremos muitas vilas e povoados, onde a atividade dos costumes antigos ainda estão fervilhando.

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