sexta-feira, 29 de junho de 2007

O cisma

Zadoque e Zacharias correm até a casa de Anás, preocupados e assustados ao ouvirem o mensageiro com ordens do próprio Anás para que fossem imediatamente falar com ele. Quando se encontraram no caminho, Zadoque fez suas queixas a Zacharias, apesar da preocupação e medo.
- O que será que Anás quer agora? Nós conseguimos cumprir com a preparação de Yoachim e Yheshua para se apresentarem ao público como se fossem mesma pessoa, dentro do curto prazo dado.
- Eu não sei ao certo, mas deve ser a respeito dos boatos sobre um novo tipo de seita em Jerusalém.
- Eu espero que seja algo sério! Eu tive que interromper meu oficio sagrado com um agradável grupo de mulheres.
- E certamente deve ter te interrompido no momento que tu mais preferes, que é iniciar jovens moças e meninas para nossos círculos secretos.
Zadoque ri com deboche da situação e aproveita para contar vantagem.
- O que tu esperas que eu faça? Elas me procuram! Deus me concedeu a virilidade, seria pecado não usufrui-la. Elas vem com irmãs, primas, sobrinhas e filhas. Elas imploram! Deus me castigaria se eu não as atendesse.
- Ora vamos, Zadoque! Eu te conheço desde a Escola Rabínica e tua fama te precedeu. Tu apenas uniste o útil ao agradável, para disfarçar tua preferência sexual.
Ambos riem muito, afinal, nesse tempo e sociedade, a mulher é considerada uma coisa, um objeto, cuja única finalidade é o de servir ao homem. Mas o humor e as risadas terminam diante da cara fechada de Anás, visivelmente irritado e furioso. Sentindo que a coisa é séria, eles sentam prontos para ouvir a bronca.
- Vós ouvistes as noticias?
- Eu ouvi apenas boatos sobre uma nova seita.
- Não são boatos e não é apenas mais uma nova seita. Eu não acredito que fizeram isso comigo, mas meus informantes não erram.
- Mestre Anás, do que se trata?
- Mestre? Tu, Zadoque, hipocritamente, me chama de Mestre, mas continua tirando a virgindade das meninas de Jerico!
- Calúnias! Difamações!
- Cale-se! Tu não me engana! E tu é o responsável por mais esse fracasso!
- Fracasso? Que fracasso?
- Essa tal nova seita. Eles se chamam Nazirenos. Seria apenas mais uma seita, das muitas que existem por aí que combatemos. Mas os Nazirenos são liderados por Yoachim e Yheshua!
- O quê?
- Sim, é isso mesmo que vós estais ouvindo. Depois de tudo que nós fizemos por eles, nos dão as costas, nos traem!
- Nós podemos mandar Johannes até eles para os desmascararem diante do povo.
- Aqueles que os seguem não aceitam outros profetas, pois eles agora afirmam que são o único messias e os dois usam o nome Yeshu, como se fossem a mesma pessoa.
- Estão usando a mesma estratégia que nós ensinamos! Então eu irei falar com a sacerdotisa Magdala para desmascará-los!
- Inútil. Ela está na seita, aumentando a influência do grupo entre as mulheres, com a ajuda de Miriam.
- Impossível, elas são inimigas!
- Elas encontraram uma ambição em comum e se aliaram, como é de se esperar entre as mulheres.
- Vamos cercar suas apresentações públicas com os Doutores da Lei e envergonhá-los diante do público.
- Acham que eu não tentei? O grupo deles cresce lentamente, apesar da resistência dos Judeus. Quanto mais perseguidos e escorraçados que são, mais desperta o interesse dos gentios por esta seita.
- Esta é também uma estratégia que ensinamos a eles.
- Muito bem, eis o teu fracasso. Mais uma vez tu descuidaste e aquilo que te foi confiado para ser preparado, falha miseravelmente.
Anás bate palmas e seis soldados da Ordem de Melquisedeck entram na sala, dominam e prendem Zadoque.
- Uma vez tu me sugeriste demitir Eleaser para que ele fosse submetido à tua mão. Agora é a tua vez, eu te demito e ponho-te nas mãos destes guardas. Levem-no.
Zadoque é arrastado até algum canto distante, oculto e escuro, dentro dos salões da Ordem de Melquisedeck. Lá, os soldados o torturam, o esfolam e o esquartejam.
- Quanto a tu, Zacharias, tu deves procurar os Romanos e incitá-los contra a seita dos Nazirenos. Eles devem caçar e crucificar os lideres até a próxima Pessach, ou tu terás o mesmo destino que Zadoque.
Zacharias sai apressadamente para encontrar seus contatos com a administração romana, tentando chegar até Pôncio Pilatos e espera conseguir encontrar um jeito de indispô-lo contra a seita dos Nazirenos. Mais calmo, Anás prepara seu discurso, com várias denúncias, cheias de calúnias e difamações, contra os cultos e seitas, acusando-as de praticarem torturas e sacrifícios de homens, mulheres e crianças em seus rituais.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Eclipse

Em Heliópolis, no Egito, os servos do Palácio Real estão mais agitados do que o costume enquanto que, do lado de fora, populares e guardas fazem uma vigília.
A rainha Nefter está cercada de parteiras, que aguardam que as contrações dilatem bem a pélvis da rainha, para que ela dê a luz ao herdeiro de sua linhagem sacerdotal e do trono do Egito. O faraó Akenat II não está muito longe, ele aguarda pacientemente o momento do nascimento, ajoelhado na entrada do quarto da rainha, enquanto entoa uma oração a Athon.
No mesmo momento, no templo em Esmirna, na Babilônia, Roe tenta coordenar os servos e servas, no trânsito de panos limpos, água quente e ervas. Ketar está com as contrações sincronizadas com sua mãe, a rainha Nefter, com partilhando com ela uma comunhão de êxtase, dor e alegria.
Mais ao sul, em Tamar, na Filistéia, Eleaser é conduzido para dentro do circulo, amarrado e vendado, até ficar de joelhos diante do altar, de onde a Alta Sacerdotisa faz as perguntas que devem ser respondidas por códigos secretos, para então lhe ser permitido deitar com a Alta Sacerdotisa que ira transmitir o poder dos Deuses Antigos a ele por meio do intercurso sexual.
Na Galiléia, na Judéia, Yoachim e Yheshua se reúnem com seus seguidores para tomar uma decisão drástica: seguir um ministério e uma missão independente do Sinédrio ou da Ordem de Melquisedeck, pois estes estão todos corrompidos e impuros com seus atos e rituais ocultos abomináveis. Para a purificação do povo Judeu, o resgate das 12 tribos de Israel e a restauração do Reino de Judá, eles precisariam iniciar uma nova ordem sacerdotal iniciática, que seguisse a Torah e os cultos judaicos antigos, de uma forma pura e ascética, que conduzisse ao Deus Vivo, negasse outras divindades e combatesse as hostes de Satan.
Em Lundunum, na Bretanha, Andros é convidado a conduzir o circulo ao lado da sacerdotisa e iniciar a filha dela como bruxa e sacerdotisa no culto da Religião Antiga, na tradição de Anglia. A menina fez questão de ser iniciada por Andros, em recompensa por ele ter salvo a vida dela e alma daquele sacerdote fajuto que a mantinha prisioneira nas cercanias de Lutécia. A menina mal completou 13 anos, mas está plenamente madura de corpo e mente.
A lua atravessa o caminho do sol, provocando um eclipse, cuja sombra começa a se formar em Lundunum, no exato momento em que Andros conclui com a nova sacerdotisa a consagração dela. A sombra se estende e se expande, tornando o eclipse total em Heliópolis e Esmirna, no exato momento em que Nefter e Ketar dão a luz a seus filhos. Mais alguns instantes e o eclipse cobre Tamar, no exato instante em que Eleaser recebe o poder dos Deuses Antigos, por meio de seu contato intimo com a Alta Sacerdotisa. Conforme segue a dança dos astros, o eclipse chega na região da Judéia, quase se desfazendo, acima da Galiléia, exatamente quando Yoachim e Yheshua decretam a independência do núcleo que eles lideram, dando a si o nome de Nazirenos.

terça-feira, 26 de junho de 2007

O canto da sereia

Eleaser segue até Siloe para encontrar os materiais necessários para sua iniciação. O trabalho que ele havia realizado como simples faxineiro do templo em Tamar facilitou muito o treinamento formal. Em poucas semanas a Alta Sacerdotisa confirmou com satisfação a cerimônia de iniciação dele para o próximo sabath.
No mercado ele busca pelos materiais, sabendo que teria de trabalhar com eles, para prepara-los para a cerimônia de iniciação. Apesar do costume que tinha em fazer compras para o templo, cada incenso, erva e vela comprados no mercado recebem um significado maior do que o costume.
A praça do mercado estava cheia, como o usual, cheio de bancas, produtos e pessoas. Cores musicas e cheiros se misturavam aos dialetos de pessoas e profetas de vários povos. Eleaser estranhou a concentração de uma grande platéia em volta de um homem, ouvindo e reagindo de forma efusiva ao discurso dele. Curioso, Eleaser se aproxima e vê que é um rabino pregando trechos da Torah, em assírio fluente. A mensagem era vibrante e contagiante, Eleaser ficou para ouvir.
- Vós me ouvis porque eu sou o Filho do Homem, aquele que veio para Judeus e gentios, para os levar até o Senhor Deus. Aquele que crer em mim e guardar minhas palavras terá a Vida Eterna.
A platéia aplaude, vibra, acompanha extasiada o profeta curando enfermidades e exorcizando demônios. Eleaser sente um velho calor no peito, aquele conforto e compensação, que a confiança em livros sagrados traz. Toda a raiva e revolta é direcionada a um inimigo certo, uma solução e uma vitória são garantidas contra todos os males da vida.
Eleaser conhece bem essa sensação e lembra quando foi adotado pela Ordem de Melquisedeck. Ele estava em uma situação igual ou pior que algumas pessoas daquela platéia. Será que a Ordem de Melquisedeck o havia adotado, tirado das ruas, como parte de um plano, estratégia?
Um enorme conflito se apossa de Eleaser. O passado ainda dói, muitas mágoas continuam sendo carregadas. Todo o tempo que ele foi treinado, doutrinado, os anos de dedicação, terminando com uma traição. O apelo da leitura da Torah e seus anos como Inspetor surgem como sombras acusadoras, agora que ele trabalha para o culto das rameiras. A vergonha de se sentir excluído, o peso da culpa dos crimes, os fantasmas daqueles que ele matou. A sensação de mácula, impureza, pecado. A experiência em Petra. A sensação de abandono de Deus. A sensação de solidão, de miséria, de doença.
Nesse torvelinho psicológico, uma pessoa pode sucumbir e se tornar um fanático, um fundamentalista, disposto a matar. Felizmente, Eleaser conhece esse canto de sereia. Ele recorda a acolhida que teve no templo, recorda de cada conversa com a sacerdotisa, dos seus amigos, das realizações que ele fez. Em três meses como simples faxineiro ele tinha mais realizações do que teve em seus muitos anos de Inspetor. Ele viu a existência de outros Deuses, sentiu a força dos rituais e de como a Eternidade é mais extensa do que os cabrestos impostos pelos livros sagrados. Lentamente, Eleaser recobrou o controle e a paz. Não sentia mais raiva ou rancor, não queria mais vingança ou reparação.
A ameaça da ordem de Melquisedeck se torna igual a de um arroubo de um jovem inseguro. Eleaser olha para a platéia e sente piedade destas almas, mas cada pessoa tem que encontrar o caminho por conta própria.
Então ele repara no rabino que profetiza para tão sortida audiência. De longe parece o jovem messias Yheshua, mas está muito confiante e a voz é mais madura. Ele havia ouvido antes uma mensagem parecida com esta, sendo dita por Johannes, na Galiléia. Seria este mais um dos messias preparados e treinados pela Ordem de Melquisedeck?

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Beijando os pés

Após uma longa viagem, Andros e Scire chegam a Londinum, depois de atravessarem o Mar da Gália, sendo recebidos com festa por druidas, bruxos e bruxas. Os druidas usavam suas túnicas com capuzes, com tecidos coloridos que indicavam a província de onde vinham. Os bruxos e bruxas usavam túnicas gregas, romanas e etruscas, feitos com tecido grosso ou fino, de acordo com a temperatura de seu local de origem.
- Nós estivemos tão longe, mas eles nos esperavam na chegada!
- E tu te espantas, jovem mestre? Cada vez que participávamos em círculos tradicionais, os bruxos e bruxas de cá sentiam a nossa aproximação.
- Então todos os que estão aqui são verdadeiros iniciados?
- Podes ter certeza que sim. Nós receberemos muitos convites, mas antes visitaremos meu círculo, para que conheça os de minha Família.
Entretanto, Andros fez questão de cumprimentar cada sacerdote e sacerdotisa dos Deuses Antigos, recebeu os presentes e os convites, bebeu, comeu, dormiu e amou. Só na semana seguinte é que ele procurou a Scire, que então o guiou pelas trilhas, entre as florestas e bosques sagrados e mágicos da Bretanha, até chegar em um vilarejo.
- Este é o Shire de Anglia. Existem muitos Shires, que é o nome local para vilarejo. Toda essa cidade foi construída e feita pelos e para os bruxos e bruxas. Como uma boa escola de mistérios, nós temos orgulho em manter a tradição.
Andros não estranhou a presença de dois pilares na entrada do vilarejo, representados por duas árvores enfeitadas com fitas de várias cores e diversas oferendas em volta. Assim que entrou, Andros sentiu uma paz e serenidade intensas e indiscritíveis. As casas do vilarejo estavam divididas entre quatro blocos principais, feitas com madeiras de árvore resinosa e ricamente entalhadas. O vilarejo tinha uma horta comunitária, onde todos podiam se servir das ervas para seus trabalhos e, na falta de algum material ou outra necessidade, havia uma vasta e rica floresta em volta do vilarejo. Bem no centro do vilarejo, um largo círculo de 9 metros de raio tinha as marcas indicando os quadrantes, um grande altar de pedra, incensários, velas e um aterro para fogueiras.
- Este círculo nós usamos para receber bruxos e bruxas de outros lugares e fazemos celebrações públicas nele. O verdadeiro círculo onde tu serás levado fica mais ao norte. Passaremos primeiro em minha casa para nos banhar e então te levarei lá.
Após um banho e colocar uma túnica branca, Andros e Scire vão até a parte mais ao norte do vilarejo, seguindo uma trilha apertada na densa floresta, até chegarem próximo do círculo entre os carvalhos. Havia uma área comum, onde bruxos e bruxas chegavam para tirar suas vestes, para então entrarem no círculo. Sem hesitar, os dois tiram as túnicas, mas Scire caminha com Andros até um ponto mais a noroeste do círculo, pedindo para que ele espere. Scire entrou no círculo depois de trocar alguns sinais e foi falar diretamente com a Alta Sacerdotisa, contando a ela a situação peculiar de Andros.
A cerimônia iniciou como de costume e, apesar da distancia, Andros reconhecia os mesmos ritos que ele conhecera em Ephesus, Etrúria e Esmirna. Andros percebeu que Scire conversou longamente com a Alta Sacerdotisa, para então se aproximar dele, para poder prepará-lo para entrar no círculo.
- Jovem mestre, eu terei que vendá-lo e amarrá-lo, para conduzi-lo até a Alta Sacerdotisa e, diante do altar, tu receberás e serás reconhecido com bruxo. Apenas formalidades.
Mas antes que algo fosse feito, uma algazarra se aproximou do círculo. Carregada em procissão, em cima de uma vistosa cadeira, uma menina que parecia ser conhecida de uma das sacerdotisas, visivelmente ansiosa para que a Alta Sacerdotisa permitisse a entrada dela. Assim que a menina entrou, ambas correram uma em direção a outra, enquanto Scire foi ver do que se tratava. Ao contar a Andros, tudo que ele fez foi sorrir.
- Sabe a menina que salvaste, próximo de Lutécia? É a filha daquela sacerdotisa e afilhada da Alta Sacerdotisa. Ela havia ido até Lutécia para aprender, mas nós vimos que ela era uma prisioneira.
A Alta Sacerdotisa dispensou as formalidades, chamou Andros e o reconheceu como bruxo e da Família, cingindo sua fronte com uma coroa feita de ramos de carvalho. Em mútuo agradecimento, Andros beijou os pés da Alta Sacerdotisa, da sacerdotisa e da menina que ele salvou.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Deuses e egrégoras

Andros e Scire estavam nas cercanias de Lutécia quando a atenção deles foi despertada por um cântico estranho, selvagem e frenético. Seguindo o som, encontraram um grupo de jovens e crianças em uma clareira, visivelmente imitando ou brincando de fazer rituais. Todos se vestiam de preto, balbuciavam palavras sem nexo, rolavam pelo chão, perfuravam-se com espinhos ou se cortavam com uma faca, na tentativa de evocar sabe-se lá que tipo de entidade.
Apenas um, evidentemente o líder, acompanhava a tudo, estático em seu trono, oculto em uma capa com capuz, ambos em cor vermelho escuro. Estava evidente que aquilo se tratava de mais uma de muitas seitas organizadas e planejadas apenas para a satisfação do líder.
Ao ver esse pomposo líder se dirigir ao centro do círculo e erguer uma adaga afiada sobre o corpo de uma menina, que estava atada e nua dentro de um altar com inscrições mágicas inventadas, Andros se lançou sobre aquele patético sacerdote, antes que o brinquedo se tornasse um crime e um desperdício. O líder fica surpreso e seu séquito assustado com a interferência. O líder, com arrogância e prepotência, se dispõe a enfrentar Andros.
- Quem é tu, que ousa interromper nossa sagrada cerimônia?
- Eu sou Andros, de Ephesus, que vem trilhando pelos Bosques Sagrados por muitos anos, a serviço dos Deuses Antigos. E tu, pobre criança, quem pensa que é?
- Eu não penso, Eu Sou! A encarnação de Latan! O Rei desse Mundo e Senhor dos Magos!
- Então é um senhor pequeno, pois eu não conheço tal Rei do Mundo, nem este Deus que julgas ser a encarnação. Tu podes impressionar seus amigos, mas tu és na verdade um vigarista.
- Como ousa? Latan é o Vingador dos Anjos Caídos e irá derrubar Ormuz e Yahveh!
- Se Latan contracena nessa Batalha de Deuses, então tu deverias estar nessas regiões, não aqui. Vá para sua luta, mas liberte essas crianças.
- Eu concedi a meus seguidores o privilégio de entregarem suas vidas carnais a mim, para que renasçam como Guerreiros das Sombras.
- Um sacrifício não pode ser realizado sem que a pessoa esteja consciente e preparada. Está bem claro que esta menina não sabe o que está acontecendo e o que a espera. Nenhum Deus aceitaria tal sacrifício, o que tu estás fazendo é um crime para satisfazer teu apetite.
- Aquele que ousa contestar a encarnação de Latan deve morrer! Sentirás a força de meu poder!
O jovem começou a se contorcer, fazer caretas, gritar palavras sem nexo diante de Andros, enquanto seus seguidores se encolhiam, se espremiam, como se fossem ver as portas do Inferno se abrindo e aparecendo o Deus do Submundo. Scire tenta segurar o riso, pois ele havia visto diversas vezes esse tipo de pantomima.
O grupo começou a se inquietar e desconfiar, ao ver que nada acontecia após vinte minutos de intenso esforço do vigarista, que tratou de correr o mais rápido que podia. Ao verem que estavam sendo enganados e quase dando a vida por um sujeito desqualificado, as crianças e os jovens voltaram para suas casas.
Andros e Scire seguiram seu caminho para Lutécia, quando Scire resolve testar Andros.
- Por que tu achas que aquele jovem fugiu?
- Evidentemente porque ele apenas fingia ser um sacerdote e inventou essa fantasia de ser a encarnação de um Deus.
- Mas os seguidores acreditavam nele. Por que não houve uma manifestação?
- Porque o Deus Latan não existe.
- Por um curto tempo existiu, mas não como Deus, mas sim como egrégora. Por que a egrégora não tinha força então?
- Acho que é porque não tinha um mito estabelecido, uma base nesse mundo.
- Exatamente. A egrégora pode ser desenvolvida por um grupo, mas precisa ter uma base nesse mundo e um mito consistente para atrair os Deuses. Nós fomos capazes de enfrentar o vigarista não por ele ser um falso sacerdote, mas porque nossa egrégora tem uma tradição bem estabelecida e se conecta com os Deuses Antigos.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Ritos de amor e prazer

Andros e Scire estavam a meio caminho de Ligúria, quando se depararam com outro grupo, desta vez composto apenas de homens, visivelmente liderados por um mais velho que usava uma tiara feita com penas de pavão e roupas de características femininas.
Andros se deteve em um local discreto e afastado do grupo, curioso para saber como eram as práticas destes homens. Sem querer assustar Andros, Scire achou melhor avisá-lo do que se tratava.
- Assim como encontramos aquele grupo de bruxas, exclusivamente feito de mulheres e avessas a homens, este é um grupo de bruxos exclusivamente feito de homens avessos a mulheres.
- As bruxas adoravam a uma Deusa, mas não me falaram qual. Eu imagino que estes também adoram a um Deus.
- As bruxas adoravam Diana e estes bruxos adoram Dian Glass.
- Eu nunca ouvi falar nesse Deus.
- Nem irá ouvir. Existe um grupo que diz seguir a tradição das fadas, masculinizaram Diana, a tornando um Deus andrógino. Muitos bruxos e bruxas, ao invés de tentar entender os Mistérios Antigos e seguir os Ritos Ancestrais, preferem inventar uma religião para justificar e sacralizar a orientação sexual deles.
- Como assim?
- Aquelas bruxas e estes bruxos são homossexuais e sectários, não admitem membros de algum gênero e são refratários às tradições.
- Estes grupos servem aos Deuses Antigos realizando os Ritos Ancestrais entre membros de sexos iguais? Isso é impossível!
- Mas é o que fazem. Assim como aquelas bruxas tomam ao pé da letra a parte do mito que diz que todas as coisas vem da Deusa, estes bruxos tomam ao pé da letra a parte do mito que diz que todos os atos de amor e prazer são os rituais dos Deuses Antigos.
- Isso é loucura! Os Deuses Antigos nos deram os Mistérios Antigos como orientação, não como revelação! Nós não somos como os Persas e Judeus que acreditam piamente em escrituras sagradas!
- Existe algo em comum com estes grupos. Eles usam, sempre em beneficio próprio, o ensinamento de que cada grupo é autônomo e que outros grupos não podem interferir.
- Mas um grupo só se torna autônomo depois de ter passado pelos três graus, em uma das escolas de mistérios. Como eles podem ser autônomos se resistem à tradição?
- Começam como um grupo de curiosos, lendo aqui e acolá, participando dos círculos públicos, ouvindo palestras, colecionando diversas técnicas. Essa gente então se reúne para discutir e debater, como se fossem grandes sábios, atraindo por sua vez outros curiosos que gostam dessa idéia utópica de autonomia e independência. Como esses grupos se expõem mais ao público, é relativamente fácil passar a impressão de que são sacerdotes, passam a abrir cursos e angariar seguidores.
- Isso explica o sectarismo e a agressividade. Mas será que ninguém percebe que eles não são sacerdotes?
- Eles são eloqüentes e conquistam a simpatia popular com suas mensagens cheias de esoterismo dúbio. Também não é difícil forjar ou comprar um falso certificado, inventar uma tradição onde nunca houve uma e fabricar iniciadores saídos da brisa da imaginação.
- Mas como é possível comprar um certificado? Ninguém que seja um sincero iniciado cobraria pelo ensinamento!
- Infelizmente isso aconteceu e acontecerá. Muitos estão mais interessados no poder e na riqueza que o sacerdócio pode trazer do que em servir aos Deuses Antigos. Em um futuro não muito distante, estes grupos ecléticos serão a maioria e imporão suas falsas verdades sobre as tradições, sorvendo a este abismo de vaidade os futuros buscadores da Arte.
- Eu não sei mais qual o maior perigo para a Religião Antiga. Se os seguidores do Deus Vivo ou os falsos bruxos e bruxas.
- Nem eu saberia dizer, jovem mestre. Devemos confiar nos Deuses Antigos e permitir que a humanidade encontre por si só o caminho para a maturidade.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Do ramo ao botão

Andros e Scire se aproximavam de Aquiléia, quando cruzaram com algumas mulheres discutindo por causa de ervas. De longe, elas pareciam saber bem qual erva elas estavam procurando, mas estavam brigando porque tinham opiniões diferentes quanto à influência das estrelas nestas ervas. A dupla apeou respeitosamente e sentou a uma distância segura. A mais velha, certamente a líder, estava furioso com as mais jovens por causa da posição de Mercúrio no céu.
_ vós sois teimosas! Teremos que esperar três dias para colher verbena! Agora só podemos colher papoula!
- Como pode alguém que diz conhecer ervas a tanto tempo dizer que um botão de papoula substitui uma raiz de verbena?
- E todo mundo sabe que a verbena é regulada por Saturno, não por Mercúrio!
Scire coça suas barbas, imaginando uma forma de entrar no debate, sem magoar as praticantes de wortcunning. Ele então pergunta a Andros em um tom que as mulheres pudessem ouvir a provocação. - O que me diz, jovem mestre, da influência das estrelas na composição das ervas?
- Quando os antigos sábios estabeleceram essas correlações, a fizeram conforme a simbologia, não de acordo com a astrologia.
- O que dizes, estranho? Todo mundo sabe que os astros influenciam todas as coisas.
- Não são os astros, mas os princípios ativos que estão presentes no universo e na terra. Assim como cada planeta é formado por diferentes partes desses princípios básicos, assim são as ervas e, por semelhança, se diz que tal erva é regulada por tal astro.
- Isso é absurdo! Uma erva só é bem aproveitada se for colhida na época certa!
- E como tu poderá calcular isso se não sabe quando a semente caiu na terra ou quando surgiram as primeiras folhas?
- Eu sei falando com a planta.
- Então não seria mais prático perguntar à planta se é o momento mais adequado para colhê-la?
- Nenhum ser abre mão de sua vida de bom grado.
- Por que estamos discutindo com esse homem? Nós somos as sacerdotisas da Deusa, o que homens podem saber da religião da Deusa?
- Tens razão! Ele e o velho devem ser daqueles esquisitos da cidade, que lêem sobre ervas em algum lugar e acham que sabem mais do que nós, que mexemos com ervas desde nossas avós.
- Veja só, jovem mestre! Encontramos bruxas seguidoras da religião da Deusa!
- Curioso, pois somos nós, humanos, que têm religião. Da mesma forma que o Deus dos Persas e dos Judeus, essa Deusa deve sofrer de muita solidão, o que deve torná-la uma tirana, como suas contrapartes masculinas.
- Todas as coisas nascem da Deusa!
- Sim e para isso necessita da virilidade do Deus.
- A Deusa pode gerar da mesma forma que algumas flores produzem frutos pela auto-polinização.
- Mas existem muito mais formas de flores e plantas que produzem frutos por polinização cruzada. Existem muito mais animais superiores que se reproduzem por gêneros diferenciados. Se fosse apenas uma Deusa, todas as espécies se autoreproduziriam, sem existência ou distinção de gêneros. Portanto, se criaturas superiores são sexualmente distintas e necessitam de um parceiro para se reproduzir, o mais evidente é que haja uma Deusa e um Deus, como Senhora e Senhor deste mundo.
- Vós sois homens, nada sabem dos mistérios da Deusa! Ela permitiu, pelo seu infinito amor, que as criaturas se desenvolvessem por conta própria.
- Esquece que a Vida é a mesma, não há nada na Vida que não seja reflexo dos Deuses Antigos? Assim como no mundo, é no Alto. Negar parte da manifestação da Vida é enxergar pela metade a Realidade Divina e ignorar a verdade dos Deuses Antigos.
- Verdade? O que é a verdade? Eu sei a verdade, não vós. Sigam vosso caminho, porque em nossa senda vós não sois bem vindos.
Andros e Scire seguem para Aquiléia, preparando-se para encontrar mais grupos pitorescos, exóticos e fechados em si mesmos. A verdade pode ser explicada e demonstrada, mas infelizmente muitos se recusarão a aceitar os fatos, preferindo viver em seus mundos fantasiosos.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Símbolos iguais, conteúdo diferente.

Andros e Scire estavam em uma vila próxima de Nicius, quando depararam com um acampamento de viajantes prestes a realizar suas cerimônias. Ao se aproximarem, foram convidados a permanecer, comer e descansar por um velho cigano que parecia ser o líder do grupo.
- Jovem mestre, percebeu que, no alto das carroças, há uma pequena estátua ou imagem pintada?
- Sim, mas desta distância não consigo ver o que simbolizam.
- O jovem mestre gostaria de conhecer nossa Deusa Baba Iaga?
- Sim, pois ela me parece familiar.
O velho cigano, todo orgulhoso, levou seus visitantes até sua carroça e mostrou a grande estátua da Deusa Baba Iaga que ele tinha. A forma, cor e adereços usados para simbolizar a Deusa eram muito parecidas com as de Ishtar, mas algumas pinturas e estátuas a faziam mais parecida com Ártemis. Sentindo que aquele grupo corria um grande risco, evocando a Deusas tão diferentes, Andros resolveu fazer um comentário crítico.
- Vós pretendeis evocar Baba Iaga, Ishtar ou Ártemis?
- Jovem mestre, os nomes são diferentes, mas são as mesmas Deusas. Assim como eu ou tu, para cada pessoa que nos conhece, nós temos diferentes faces, nomes, atributos.
- Verdade, mas a despeito dos diferentes atributos, tu não podes ser confundido com outro que tenha os mesmos atributos. Os atributos que tu tens são como os símbolos usados pelos Deuses e Deusas, servem para nos mostrar a aparência superficial, não o conteúdo.
- Esta é a forma como muitos grupos adoram aos Deuses Antigos, não há mais esta velha e radical distinção. Todos os Deuses são o Deus e todas as Deusas são a Deusa.
- Não é porque muitos grupos fazem isso que significa que está certo. Nossos ancestrais demoraram gerações para conhecer e ter uma relação íntima com os Deuses Antigos. Quem olha apenas aos adornos e esquece a identidade, ofende aos Deuses Antigos.
- Nós iríamos recebê-los em nosso círculo, mas vós sois muito tradicionalistas e intolerantes. Fiquem com vosso fundamentalismo petulante, pois não reconhecemos vossa autoridade e nosso círculo é independente e atualizado.
Andros e Scire agradecem o descanso e a comida e partem, seguindo para Nicius.
- Acha que eu agi errado?
- De forma alguma! Mas infelizmente encontraremos muitos destes grupos formados por curiosos, desinformados e vigaristas.
Ao chegarem em Nicius, puderam visitar e conversar com os sacerdotes e sacerdotisas de Demeter. Curioso, Andros resolveu perguntar sobre o grupo que havia conhecido.
- Sábios Anciãos, vós conheceis um grupo que se reúne aqui perto, que evoca uma Deusa chamada Baba Iaga?
- Eu ouvi falar dessa gente. Eles são liderados por um homem com veneno na alma, são gente resistente e agressiva a qualquer tipo de religião estruturada, ou tradição, ou escola de mistérios.
- Como pode ter cultos e seitas assim que ofendem aos Deuses Antigos?
- Tudo que posso dizer é que as cerimônias feitas por este grupo não passam de jogos joviais, que se assemelham aos rituais e usam algo da liturgia conhecida, mas nunca evocaram qualquer Deus ou Deusa. Que os ancestrais tenham misericórdia deles quando os Deuses Antigos se cansarem dessa macaquice!
Andros e Scire, depois que saíram do templo, ouviram um mensageiro que passou com a notícia de que o grupo de viajantes sumiram, depois de um facho de luz passar pelo local do acampamento, deixando apenas os utensílios.

A história de Miriam

- Yoachim! Meu bom Yoachim! Leão de Judá!
- Minha pequena Miriam! Como cresceu e ficou formosa!
- Tu és gentil e galante, mas tu não sabe o que eu sofri nas mãos destes bandidos que o acompanham.
- Eu conheço Zadoque, ele não te faria mal.
- Ah, meu bom Yoachim, eu também confiei nessa gente...gente que nós tínhamos como da família...se eu te contar...eu terei vergonha!
- Conte a tua versão, Miriam, que eu contarei a minha. Eu estou cumprindo com os Planos de Deus.
- Eu sempre digo a verdade e que Deus tenha piedade de tua alma, iludida pelas artes de Satan!
- Calma, Miriam. Eu ouvirei a tua história e cuidarei do caso, se necessário, no próprio Sinédrio.
- Ah, meu caro Yoachim, são eles que estão por trás da minha desgraça!
- Eu conheço rabinos no Sinédrio que te fariam justiça. Conte-me tudo.
- Como tu sabes, sou de uma família muito pobre e meus pais me levavam na sinagoga, para pedir misericórdia a Deus. Quando eu cresci, fiquei formosa, chamei a atenção dos rabinos e meus pais não hesitaram em me vender, em troca da minha educação e preparação para ser uma noiva de Deus.
- Ser uma virgem consagrada a Deus é uma grande honra.
- Foi o que eu imaginei. Mas como eu não sabia ler, os rabinos liam apenas as partes da Torah que interessavam a eles, misturando com as doutrinas impuras dos gentios.
- Mas por que fariam isso?
- Para que eu os servisse...eu ouvia tudo, como se fosse a Palavra do Deus Vivo...quando eu completei doze anos, eles então me prepararam para a cerimônia profana...oh, que vergonha!
- Como te prepararam e como foi tal cerimônia?
- Eles me tapearam...me disseram que eu estava pronta para receber o Espírito de Deus em meu corpo...eles me levaram para uma sala secreta, dentro do Sinédrio, vestindo apenas uma manta! Eu fiquei embaraçada, vendo tantos homens seminus, olhando para meu corpo igualmente seminu...mas eu não imaginava o que ia acontecer!
- Coragem! Diga o que aconteceu!
- Eles riscaram um círculo no chão, enfeitaram com letras estranhas, velas e incensos, entoaram cânticos que eu nunca ouvira nas sinagogas em uma língua demoníaca, diante de estátuas de outros Deuses! Em um dado momento, este que tu chamas de amigo me tomou nos braços, me pôs em cima do altar e tirou a manta de meu corpo. Ele disse que o Espírito de Deus estava pronto para entrar em meu corpo...mas o que vi foi um romano, que veio em cima de mim...eu fui estuprada! Esses monstros me estupraram em nome do Senhor!
- Nós tivemos um bom motivo para isso e tu o sabes!
- Sei aquilo que me induziram a acreditar! Eles...eles me enganaram...depois me iludiram...dizendo que eu seria a mãe do Messias! Que meu nome seria cantado e louvado por muitas gerações, por muitos anos, por muitos povos!
- Pois foi exatamente por causa desse Messias que Zadoque veio me chamar.
- Não aceite! Faça a justiça! Não macule sua alma com estes planos malignos!
- Mulher, o que tu sabes?
- Graças a Isabel, minha prima, eu aprendi a ler...conforme tua gente vinha ensinar meu filho, eu aprendi a verdade da própria Torah! Vós me violentastes, mas eu não permitirei que violentem meu filho!
- Como assim? Como o Sinédrio vai violentar teu filho?
- Yoachim, meu filho cresceu como eu, ouvindo apenas o que essa gente queria contar...mas eu lutarei pela alma dele. Principalmente depois que trouxeram a rameira.
- Zadoque contou-me sobre esta mulher...o que ela faz aqui?
- Assim como eu fui iludida, sendo ensinada com a Palavra do Senhor, misturada com abominações, meu filho está sendo ensinado em abominações piores por esta rameira! Eu temo pela alma e pelo corpo de meu filho!
- Deixa-me falar com teu filho...e depois eu irei ter esta feiticeira.
- Yheshua, querido, venha conhecer o teu tio Yoachim!
O garoto franzino, magro e curtido aparece na sala. Sua face começa a esboçar os primeiros sinais de barba, mas seus olhos verde-azulados lhe dão uma aparência angelical. Yoachim simpatiza de imediato com o jovem, tendo com ele uma agradável conversa sobre os mistérios de Deus. Yoachim demonstra um conhecimento profundo e requintado, que é alegremente correspondido por Yheshua, mas sem ser compreendido por Zadoque ou Zacharias. Satisfeito com a capacidade de Yheshua, Yoachim enfim pede um ato final de confiança de Miriam, que transborda de satisfação.
- Teu filho está bem encaminhado. Deixa-me falar agora com a rameira, para que eu saiba qual veneno ela usa em teu filho.
- Meus lábios puros não proferirão o nome dessa mulher. Meu querido filho, chame a sedutora.
- Sacerdotisa Magdalena, venha conhecer meu tio Yoachim, que está na Graça de Deus.
Uma mulher exuberante, de fartos cabelos cacheados, lábios grossos e corpo estonteante surge em suas roupas coloridas, colares, anéis e brincos, com seus olhos faiscantes e ousados, sem demonstrar qualquer medo ou respeito pelos presentes. Yoachim sabia bem o que aquela mulher sabe e ensina, mas terá que se submeter a ela, para que o Reino de Judá renasça.