sexta-feira, 29 de junho de 2007

O cisma

Zadoque e Zacharias correm até a casa de Anás, preocupados e assustados ao ouvirem o mensageiro com ordens do próprio Anás para que fossem imediatamente falar com ele. Quando se encontraram no caminho, Zadoque fez suas queixas a Zacharias, apesar da preocupação e medo.
- O que será que Anás quer agora? Nós conseguimos cumprir com a preparação de Yoachim e Yheshua para se apresentarem ao público como se fossem mesma pessoa, dentro do curto prazo dado.
- Eu não sei ao certo, mas deve ser a respeito dos boatos sobre um novo tipo de seita em Jerusalém.
- Eu espero que seja algo sério! Eu tive que interromper meu oficio sagrado com um agradável grupo de mulheres.
- E certamente deve ter te interrompido no momento que tu mais preferes, que é iniciar jovens moças e meninas para nossos círculos secretos.
Zadoque ri com deboche da situação e aproveita para contar vantagem.
- O que tu esperas que eu faça? Elas me procuram! Deus me concedeu a virilidade, seria pecado não usufrui-la. Elas vem com irmãs, primas, sobrinhas e filhas. Elas imploram! Deus me castigaria se eu não as atendesse.
- Ora vamos, Zadoque! Eu te conheço desde a Escola Rabínica e tua fama te precedeu. Tu apenas uniste o útil ao agradável, para disfarçar tua preferência sexual.
Ambos riem muito, afinal, nesse tempo e sociedade, a mulher é considerada uma coisa, um objeto, cuja única finalidade é o de servir ao homem. Mas o humor e as risadas terminam diante da cara fechada de Anás, visivelmente irritado e furioso. Sentindo que a coisa é séria, eles sentam prontos para ouvir a bronca.
- Vós ouvistes as noticias?
- Eu ouvi apenas boatos sobre uma nova seita.
- Não são boatos e não é apenas mais uma nova seita. Eu não acredito que fizeram isso comigo, mas meus informantes não erram.
- Mestre Anás, do que se trata?
- Mestre? Tu, Zadoque, hipocritamente, me chama de Mestre, mas continua tirando a virgindade das meninas de Jerico!
- Calúnias! Difamações!
- Cale-se! Tu não me engana! E tu é o responsável por mais esse fracasso!
- Fracasso? Que fracasso?
- Essa tal nova seita. Eles se chamam Nazirenos. Seria apenas mais uma seita, das muitas que existem por aí que combatemos. Mas os Nazirenos são liderados por Yoachim e Yheshua!
- O quê?
- Sim, é isso mesmo que vós estais ouvindo. Depois de tudo que nós fizemos por eles, nos dão as costas, nos traem!
- Nós podemos mandar Johannes até eles para os desmascararem diante do povo.
- Aqueles que os seguem não aceitam outros profetas, pois eles agora afirmam que são o único messias e os dois usam o nome Yeshu, como se fossem a mesma pessoa.
- Estão usando a mesma estratégia que nós ensinamos! Então eu irei falar com a sacerdotisa Magdala para desmascará-los!
- Inútil. Ela está na seita, aumentando a influência do grupo entre as mulheres, com a ajuda de Miriam.
- Impossível, elas são inimigas!
- Elas encontraram uma ambição em comum e se aliaram, como é de se esperar entre as mulheres.
- Vamos cercar suas apresentações públicas com os Doutores da Lei e envergonhá-los diante do público.
- Acham que eu não tentei? O grupo deles cresce lentamente, apesar da resistência dos Judeus. Quanto mais perseguidos e escorraçados que são, mais desperta o interesse dos gentios por esta seita.
- Esta é também uma estratégia que ensinamos a eles.
- Muito bem, eis o teu fracasso. Mais uma vez tu descuidaste e aquilo que te foi confiado para ser preparado, falha miseravelmente.
Anás bate palmas e seis soldados da Ordem de Melquisedeck entram na sala, dominam e prendem Zadoque.
- Uma vez tu me sugeriste demitir Eleaser para que ele fosse submetido à tua mão. Agora é a tua vez, eu te demito e ponho-te nas mãos destes guardas. Levem-no.
Zadoque é arrastado até algum canto distante, oculto e escuro, dentro dos salões da Ordem de Melquisedeck. Lá, os soldados o torturam, o esfolam e o esquartejam.
- Quanto a tu, Zacharias, tu deves procurar os Romanos e incitá-los contra a seita dos Nazirenos. Eles devem caçar e crucificar os lideres até a próxima Pessach, ou tu terás o mesmo destino que Zadoque.
Zacharias sai apressadamente para encontrar seus contatos com a administração romana, tentando chegar até Pôncio Pilatos e espera conseguir encontrar um jeito de indispô-lo contra a seita dos Nazirenos. Mais calmo, Anás prepara seu discurso, com várias denúncias, cheias de calúnias e difamações, contra os cultos e seitas, acusando-as de praticarem torturas e sacrifícios de homens, mulheres e crianças em seus rituais.

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