sábado, 7 de julho de 2007

Encontro de gerações

Lapidatus pede uma dispensa ao seu comandante, depois que recebeu de um legionário que voltou de Esmirna a noticia de que seu filho com Ketar havia nascido. Apesar de que todas as coortes estivessem em constante estado de atenção por causa dos conflitos na Judéia, o comandante concedeu a licença a Lapidatus para ir visitar Ketar e seu filho.
Lapidatus pega um cavalo rápido, sai do acampamento e chega ao templo de Ishtar em Esmirna depois de algumas horas. Os servos do templo, percebendo sua ansiedade e nervosismo, chamam Roe para atendê-lo.
- Saudações, irmão de armas. Aguarde um pouco que eu irei ver se Ketar está acordada.
Evidentemente, Roe percebe o motivo que fez Lapidatus vir, depois de tanto tempo. Visitar a Ketar. No quarto dela, a jovem sacerdotisa amamenta tranqüilamente seu filho.
- O que quer agora, Roe?
- Lapidatus deseja vê-la e conhecer teu filho.
- Que tolo! Será que ele quer assumir a paternidade ou constituir uma família?
- Não creio. Ele é um soldado como eu, deseja apenas ver seu filho uma única vez.
- Traga-o aqui, então.
Depois de alguns instantes, Lapidatus aparece no quarto de Ketar, que o estranhou ao vê-lo em roupas civis. Ketar ri de si mesma ao perceber que o uniforme de Lapidatus o deixava mais atraente.
- Santa Senhora, posso ver vosso filho?
- Sim, meu centurião, se aproxime.
Lapidatus se aproxima de Ketar, que deixa de amamentar seu filho por alguns instantes para que o soldado pudesse dar uma boa olhada em se filho. A criança tem as feições do romano, mas os cabelos e olhos puxaram a mãe. O bebê é forte e saudável, nasceu carregado de sinais que o indicava como bruxo hereditário e seu semblante firme e sereno indicava que ele era uma alma reencarnada.
- Ele é belo e forte. Qual o nome dele?
- Eu dei a ele o nome de Bran.
- Santa Senhora, vós estais disposta?
- Sim, por que pergunta?
- Eu gostaria de levá-la a Heliópolis, para visitar vossa mãe e irmão novo.
- Mas o faraó...
- Ele mudou. Vosso culto não é mais perseguido, o Egito voltou a ser politeísta.
- Oh! Pelos Deuses Antigos, que noticia maravilhosa! Sim, vamos, imediatamente!
Ketar agarra seu filho por um braço e pelo outro abraça o pescoço de Lapidatus e o beija na boca, levantando-se com grande animo. Roe se apressa, pois sabe que Ketar não aguarda, ele prepara dois bons camelos para que eles possam ir rapidamente até Haifa e de lá seguissem até Heliópolis. Em um curto tempo de duas semanas, ambos chegam em Heliópolis e são recebidos festivamente no Palácio Real.
- Vossa Magnifica Majestade, temos o prazer de anunciar que vossa sagrada filha chegou, trazendo vosso neto.
- Oh! Ketar! Entre, minha filha, venha conhecer teu irmão mais novo!
- Mamãe! Veja, este é Bran!
- Oh, meus bebês! Ketar, este é Urab.
- Meu irmãozinho! Tão pequeno e é titio!
Enquanto as mães conversam, se abraçam, se beijam, os bebês também parecem se entender bem. Lapidatus é o único que sobra nessa cena idílica. Lapidatus percebe a aproximação de uma pessoa, um homem que corre em direção ao quarto da rainha, em roupas simples, que entra sem muita cerimonia e sem notar a presença do soldado romano.
- Ketar, minha filha, há quanto tempo!
- Faraó Akenat?
- Está tudo bem, meu anjo, Akenat mudou.
- Eu sei, mamãe, Lapidatus me contou tudo.
- Lapidatus?
As mulheres voltam seus olhares para o soldado romano e só então o faraó percebe a presença dele. Meio sem jeito, foi cumprimentá-lo como se fossem conhecidos.
- Desculpe, eu não te vi. Eu estava muito feliz em poder rever e falar com Ketar. Eu sou Akenat.
- Ahn...Lapidatus, centurião romano.
- Deixe de ser bobo, Lapidatus, estamos todos em família, não é, mamãe?
- Claro, eu amor. Venha cá, Lapidatus. Venha conhecer teu enteado e herdeiro do Egito.
Lapidatus não está acostumado a esse tipo de vida. A dureza da caserna cria a necessidade de laços de sangue entre os combatentes, forjado em batalhas e pela honra das armas. Viver por laços de afetividade e aguardar uma morte serena é algo difícil para um soldado.
A tarde termina, a noite chega. O faraó consegue acertar suas dividas com Ketar, que sacia a saudade de sua mãe, que se esbalda com os dois bebês, que brincam como se fossem velhos irmãos.

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