sábado, 28 de julho de 2007

A ponte para Roma

Saulo estabeleceu-se na Antioquia e montou ali uma base para sua caça aos Crestanos.
Mas era difícil achar algum, pois se misturavam entre populares e nunca tinham um local fixo de reunião.
Os Crestanos tinham a simpatia dois servos e dos párias da sociedade, pois a mensagem trazia conforto, esperança de justiça e de vida melhor. Indiretamente, os servos ajudavam os Crestanos a fugirem e se esconder em catacumbas.
Nem todos os servos eram conversos, mas a maioria acabava expondo seus senhores ao pensamento e credo dos Crestanos de forma que, aos poucos, Yeshu Cresto passou a ser procurado e reverenciado por cidadãos romanos.
Saulo tinha grandes aspirações, grandes pretensões de carreira e sua dupla origem como Romano e Judeu lhe permitia galgar os degraus do poder, mas essa infiltração dos Crestanos entre os Romanos iria prejudicar seus planos, sua ambição incluía a coroa da Judéia, ou em seus sonhos mais altos, um alto cargo próximo de César.
Em sua ganância, Saulo observa, mas não percebe que é observado. A cada investida fracassada contra os Crestanos, fica mais difícil surpreendê-los ou cercá-los, a fama de Saulo o precede.
Através de um intrincado sistema de informantes, Yheshua acompanha confortavelmente, sem risco e sem exposição, as ações dos Romanos, dos soldados de Herodes e dos soldados do Sinédrio. Ele fica entusiasmado com a organização de seu grupo e a forma como frustram os planos de Saulo. Ele começa a rir, mas a sacerdotisa não achou graça.
- Nós temos planos para este Saulo. O empenho e a dedicação dele serão úteis para nós, se o convertermos.
- Mas como? Ele nos odeia e nos persegue!
- E sem perceber nos ajuda, pois desperta a curiosidade das pessoas sobre nós. Que melhor propaganda do que convertê-lo? Ele será a nossa ponte para Roma.
- E qual são teus planos para Saulo que o faça ficar do nosso lado?
- Vamos deixar que chegue até ele a informação de uma futura reunião nossa na Damácia. Ele certamente virá pelo caminho que vai de Antioquia a Siquém, onde há altas colinas, onde eu posso me esconder para surpreendê-lo com meus poderes. Tu irás falar com uma pessoa confusa e semiconsciente, tu irás convencê-lo de qualquer coisa.
Não é difícil passar uma informação falsa como verdadeira a uma pessoa obcecada. Logo que Saulo recebeu a informação, ele ficou feliz e orgulhoso de si mesmo. Ele resolveu marchar pomposamente para Damácia, bem à frente da coorte de legionários, certo de que finalmente ele foi recompensado pelo seu esforço, inteligência e esperteza.
Ao longo da estrada, populares aplaudiam e elogiavam a Saulo, por medo ou admiração, o que contribuiu para inflar mais o grande ego de Saulo. Nas províncias onde passava, Saulo recebia presentes das autoridades, que o recebia com festas, bandeiras, jantares e músicas.
Assim que chegou a cem metros de Damácia, Saulo se certificou de que a cidadela estava totalmente cercada, sem possibilidades de ninguém fugir ou se esconder.
Recebido o sinal do centurião, Saulo cavalgou cheio de arrogância e prepotência na direção da cidade, pronto para revirá-la do avesso e queimá-la até o chão, se fosse preciso, para pegar os Crestanos. Mas um clarão imenso, vindo de alguma colina próxima, atinge e derruba Saulo de seu cavalo e espanta a coorte que o escoltava. Saulo atordoado, desarmado e sozinho no meio da estrada, percebe apenas a aproximação de um vulto, trazendo nele o medo da execução iminente.
- Saulo, Saulo, por que me persegues?
Como a sacerdotisa Magdala prometera, Saulo está atordoado, confuso e propício a ouvir qualquer coisa, o que torna fácil influenciar Saulo a pensar que ele estava falando com Deus em pessoa, do que Deus queria dele e de que ele ficaria como cego até que fosse doutrinado e curado por Ananias, um profeta de Deus Encarnado em Yeshu Cresto. Abandonando Saulo para que seguisse essa nova missão, Yheshua retorna triunfante para sua sacerdotisa, certo de que ela irá recompensá-lo com os carinhos que ele tanto gosta.

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