sexta-feira, 20 de julho de 2007

A semente da tirania

Andros estava tranqüilamente andando pelas florestas da Bretanha escolhendo ervas, flores e frutos para a celebração de Beltane quando deparou com o velho Scire, pensativo e soturno, na beira de um poço natural.
- Evoe, meu bom amigo! Parece que tuas profecias não irão se cumprir! A sombra do medo desapareceu!
- Evoe, jovem mestre. Eu te esperava aqui apenas para te alertar que isto apenas começou.
- De que estás falando? Eu vi como se estivesse em Jerusalém, vendo um homem vestido em pele de carneiro sendo preso por homens vestidos em pele de lobo.
- Morreu um homem, mas no coração dos homens está a semente da tirania. Por este homem virá o símbolo e uma idéia que custarão muito alto à humanidade!
- Tu estás sendo rabugento. Veja, depois de Beltane eu retornarei a Esmirna para rever a jovem sacerdotisa Ketar, apenas para confirmar que a ascensão do monoteísmo não passou de um breve pesadelo.
- Concordo que vás a Esmirna, todos os esforços serão necessários para proteger a Religião Antiga.
- Tu estás exagerando. A Religião Antiga nunca irá desaparecer.
- Tu verás logo, em Esmirna.
Andros balançou a cabeça, olhou para a estátua do poço, o gênio protetor local, como que buscando palavras, mas ao voltar para onde estava o velho Scire ele havia sumido. Ao voltar a Anglia, percebeu que tinha acontecido alguma coisa. Deparou com os bruxos e bruxas ao redor de uma pira funerária, declamando runas aos que partiram. Ao perguntar de quem era a pira, soube que era de Scire, que havia falecido na última hora.
Chocado, sentindo-se órfão, Andros se aprontou para a longa viagem até Esmirna. Antes de partir, parou diante da pira para o último adeus ao seu velho amigo, quando começou a chover torrencialmente. Andros seguiu seu caminho, sem estranhar que a pira não se apagou, mesmo debaixo desse temporal.
A chuva continuou, mesmo na travessia do Mar da Gália, acrescentando perigo na travessia e seguiu Andros por toda a Gália. Pelas estradas romanas que o levariam de Bizâncio a Esmirna, o tempo permaneceu nublado com trovoadas.
Andros chegou esgotado e doente em Esmirna, onde foi internado e atendido por uma sacerdotisa que veio de Tamar, trazendo consigo seu ajudante Eleaser, que teve a impressão de ter conhecido ou cruzado com Andros em algum momento de sua vida.
- Onde estou? Quem és tu?
- Descanse, mestre. Tu estás aos cuidados da sacerdotisa Ceres.
- Tu és um iniciado?
- Sim, mestre. Meu nome é Eleaser.
- O meu é Andros. Mas tu não é daqui.
- Nós viemos de Tamar, pois a Alta Sacerdotisa sentiu que nossa presença seria necessária nos próximos meses. Algo terrível, grande e sombrio está para acontecer.
- Pois então assim que eu ficar curado, eu gostaria de que tu e tua sacerdotisa viesse comigo até o templo de Ishtar, para falar com a sacerdotisa Ketar.

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