quarta-feira, 8 de agosto de 2007

A ascensão de Magdala

Quando Magdala chegou em Roma, ela ficou encantada com a beleza da Cidade Eterna e a incrível diferença de urbanização. Acostumada às ruas e construções precárias que se sobrepunham-se umas às outras em Jerusalém, ver alamedas amplas e construções totalmente planejadas mostrava a ela porque Roma ficou tão grande e poderosa. Em todo lugar, palácios, monumentos e estátuas de Deuses romanos em mármore competindo com as vestes, maquiagens e penteados das mulheres romanas. Roma era, sem dúvida, um outro mundo.
A coorte que levava Magdala parou diante de um belo e imponente pórtico, onde ela pensava ser o palácio de César. Mas como em toda civilização organizada, há um protocolo a ser seguido, de forma que ela primeiro teria que falar com o Comandante Geral da Guarda Pretoriana, um Ministro da Guerra da época, que também comandava a elite da elite do Exército.
Ao entrar, ela foi conduzida até um santuário dedicado ao Touro Sagrado Attis, onde o Comandante Geral fazia suas libações a Mithra.
- Então tu és uma sacerdotisa e súdita de César?
- Sim, eu sou e minha religião é mais antiga que Roma.
- Se tu és uma mulher sagrada e de intenções puras, para ver César deve postar tua mão na fronte do Touro Sagrado, sem deixar mácula.
Os legionários que haviam conduzido Magdala ficaram na expectativa, pois aquilo era um pedido impossível, sobre-humano. Acabaram de chegar de uma longa viagem, expostos ao sol, poeira e umidade. Todos davam como certo de que Magdala deixaria a marca de sua mão no alvo mármore do Touro Sagrado.
Magdala ri e descansa a mão na testa da estátua do Touro Sagrado. A estátua move-se e a para dianteira direita se dobra em reverência. Sem demora, o Comandante Geral ordena aos legionários que a levem a César.
- Chamai o escultor. Digam a ele para incluir uma estátua de Mithra ao lado de Attis.
A estátua, que era apenas de Attis, virou a cena da imolação deste por Mithra, um padrão que se repetiria nas esculturas sacras dos templos mithraicos.
Diante de César, Magdala é recebida com indiferença. Tibério César está constantemente sendo visitado por inúmeras sacerdotisas, de forma que ele ficou enfadado com pessoas comuns e os cargos religiosos que estas julgam possuir. Ele pede com as mãos para Magdala se aproximar, sem interromper a conversa que tinha com uma vestal.
- Diga-me, vestal, o que vês desta mulher?
A vestal não ousa olhar para Magdala, apenas abaixa a cabeça e estremece.
- Excelso César, a nós apenas é dada a habilidade de ver o futuro, nós não controlamos os espíritos que nos apossam. Mas eis que diante de vós está aquela que controla os espíritos.
César dispensa a vestal e pede a aproximação de uma sacerdotisa de Diana, que também não ousa olhar para Magdala.
- Diga-me, serva de Diana, quais os espíritos que trabalham para esta mulher?
- Excelso César, embora nós dominemos e evoquemos os espíritos, nós o fazemos em nome de Diana. Mas eis que diante de vós está aquela que invoca os Deuses Antigos.
Sem se abalar, César dispensa a sacerdotisa de Diana e pede a aproximação de uma sacerdotisa de Ísis, que também não ousa olhar para Magdala.
- Diga-me, serva de Ísis, quais os deuses Antigos que ouvem as invocações desta mulher?
- Excelso César, embora nós invoquemos os Deuses Antigos do Egito, mesmo estes prestam reverência aos Deuses Primordiais. Eis que diante de vós está aquela que conhece os segredos dos Deuses Antigos.
César não se perturbou, dispensou a sacerdotisa de Ísis para só então dirigir-se à Magdala.
- Diga-me, sacerdotisa, quem são teus Deuses e o que estes reservam para César?
- Meus Deuses só podem ser chamados dentro de uma cerimônia presenciada por iniciados. Mas posso vos dizer, César, que a Coroa de Roma terá mais dois herdeiros para depois ser disputada por mãos ambiciosas.
Tibério César ouvira antes este vaticínio das vestais e outras sacerdotisas. Mas vendo que Magdala talvez tenha segredos e poderes desconhecidos, ele resolve mantê-la ao seu lado até achar uma forma de usá-la para seus propósitos.

Nenhum comentário: