segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O julgamento de Saulo

A velhice é o menor dos problemas de Tibério César. Mesmo tendo sucesso em debelar a guerra civil na Judéia, a cada dia chegavam boatos vindos das vilas romanas sobre o aparecimento de novas comunidades de Crestanos e ele não duvida de que hajam comunidades desta seita em plena Roma.
A presença do renomado líder dos Crestanos, Saulo, no cárcere, aguardando julgamento, tinha um efeito oposto ao de intimidar e refrear as atividades desta seita ou de evitar mais conversões. Os senadores postergavam a audiência por que não se sentiam em condições de julgarem Saulo, uma vez que ele pessoalmente não havia se envolvido na luta armada e nem havia testemunhas de que ele tivesse cometido alguma infração da lei romana. Não havia como o Senado Romano julgá-lo e condená-lo unicamente pelo crime de pregar abertamente a conversão aos Romanos.
A situação é uma afronta ao poder de César, pois Saulo usa de suas prerrogativas como cidadão romano para receber visitas e o prefeito do cárcere pede constantemente por mantimentos e reforços por causa da grande quantidade de pessoas que vão ao cárcere para ouvir suas pregações. A chegada de Magdala, cheia de segredos e poderes, se a apresentasse às pessoas certas talvez fosse o suficiente para forjar um julgamento, para dar uma certa legitimidade à execução de Saulo.
- Excelso César, vós mandastes chamar-me?
- Vinde, vamos ao Senado. Vejamos se teus poderes podem convencer os senadores a trabalharem.
Magdala seguiu a César até o Fórum do Senado, sabendo bem que a intenção de César era calar a Saulo, o que era vantajoso para ela. Sua apresentação ao Senado seria um prêmio extra que ela saberia usar no momento certo.
- Senadores do Povo Romano. Ainda temeis trazer a este fórum o rebelde que zomba de Roma, desviando nossa juventude com suas pregações? Eis diante de vós aquela que tem poder de vencer o profeta de Crestos.
- Pois que se nos apresente esta mulher. Que ela diga e mostre o que pode fazer contra o rebelde.
Magdala impressiona os senadores com a história não apenas de Saulo, mas de Crestos, Yeshu e Yheshua, desde suas origens envolvendo os mesmos grupos messiânicos que César havia debelado na Judéia.
Sem demora, os senadores mandam buscar Saulo para responder às acusações que pendiam contra ele. Para trazer Saulo amarrado de seu cárcere até o Fórum do Senado foram necessárias duas coortes para controlar a manifestação dos populares. Também foram trazidos um representante de Pilatos e o governante da cidade de Roma, para que o processo não ficasse nulo.
O julgamento teve inicio e as questões que resvalavam em questões referentes ao conteúdo das pregações de Saulo geralmente causavam um impasse e Saulo sabia conduzir suas respostas nesse sentido, pois sabia que nenhum senador romano conseguiria vence-lo nesse terreno. Mas a altivez de Saulo cessou quando o Acusador Público do Senado chamou Magdala para depor a respeito das alegações de Saulo, exatamente com o intento de oficializar as falhas da doutrina.
O Acusador Público com isso pode caracterizar a má-fé de Saulo em suas pregações e que, pelo fato de a fazê-la publicamente, ensinando um credo que afronta a religião oficial de Roma, é o mesmo que afrontar as leis de Roma, que é o que caracteriza os rebeldes e, portanto, uma ameaça ao Povo Romano punível com a pena máxima.
Saulo não tinha mais argumentos. Ele sabia que não tinha defesa contra o testemunho de Magdala, sobretudo pelo vínculo que tinham, mas seus seguidores guardarão o nome com o qual ele se dirigiu a Magdala como a Mulher Escarlate.
- Cumpriste com tua parte e satisfez nossas expectativas. Tu terás riqueza e poder.
- Excelso César, Saulo é apenas um homem, mas ficou o exemplo. Se quiseres controlar essa seita, é necessário não perseguir seus membros, mas assimilar seus líderes como parte de Roma.
Tibério César ficou intrigado com esse plano de Magdala e passou aos seus cônsules o assunto, que ficou guardado para o próximo César. Escondido de Tibério César acontecia a corrida pela sucessão.

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