sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A ascensão de Lapidatus

Na fortaleza da legião romana sediada em Jerusalém, a notícia do incêndio em Roma chegou junto com o oficial do Império que portava um edital importante. O vigia do portão leu a ordem e acompanhou o oficial até o setor dos dormitórios, anunciando-o ao praefectus. A ordem era para chamar o centurião Lapidatus para receber o edital do Imperador.
Lapidatus abriu e leu o edital, onde ele era convocado a comparecer imediatamente no Quartel General da Guarda Pretoriana. Não havia mais detalhes, mas o centurião recorda sua careira iniciada há vinte anos atrás ao se inscrever na Legião Romana, como todo jovem macedônio fazia.
Lapidatus só podia imaginar que alguma coisa ocorrera ao comandante Tertius, que fora seu centurião nas campanhas nas províncias tuteladas da Pérsia e do Egito, com quem adquiriu mais do que experiência, ele ganhou uma sólida reputação. Com Tertius, ele seguiu uma boa carreira militar e pela linha de comando, ele é o sucessor de seu comandante.
Sem demora, Lapidatus segue até Tamar, onde pegará o primeiro navio mercante que vá em direção a Roma. Como bom conhecedor da rotina militar, ele não hesita de sair da Judéia, local onde exerceu o posto de centurião por sete anos, enfrentando salteadores e rebeldes. Foram árduos anos, resolvendo batalhas e escaramuças, mas seus braços acostumados à guerra não irão esquecer da grata lembrança daquela noite de luar na Galiléia quando, enfim, pôde desfrutar do êxtase dos Ritos Ancestrais que ele tanto ouvira falar na infância.
A viagem para Roma não será ocupada com angustia e agonia sobre o que lhe espera ao se apresentar diante do Ministro do Exército. A mente de Lapidatus está repleta com a lembrança da sacerdotisa Ketar e sua beleza indescritível. Uma lembrança tão vivida que ele sente a maciez daqueles cabelos, o perfume e a maciez daquele corpo tão perfeito que copiava a própria Deusa Afrodite.
Em Tamar, antes de embarcar, Lapidatus faz uma rápida visita ao templo de Ishtar, oferecendo um bezerro aos Deuses Antigos. Eleaser, que o conhecia, não pergunta qual a intenção do sacrifício, mas a sacerdotisa Ceres faz questão de o beijar.
O navio parte, seguindo em direção a Ostia e dali Lapidatus seguirá a Roma. O centurião olha na direção da proa, para um ponto indefinível onde o extenso horizonte se mistura com o imenso mar, imaginando como estará Ketar e Bran nesse momento.
- Lapidatus, meu velho, és tu esmo?
- Portius? O que tu fazes tão longe da Pérsia?
- Eu fui convocado. Ao te ver aqui, eu imagino que tenham outros centuriões neste navio. Alguns devem estar em roupas civis, pois nunca se sabe como está o humor de César.
- Meu caro, Roma pode estar à mercê dos ventos soprados pela nobreza, mas não a Guarda Pretoriana.
- Então tu também foste chamado. Qual será nossa promoção?
- Caso seja desejo dos Deuses Antigos me colocar como comandante de coortes, mesmo assim eu terei de cumprir com meu destino.
- Ah, meu velho, tu ainda falas dessas velhas crenças e superstições? Tu deves viver mais conforme tua época!
- Pobre da geração que, para viver conforme a época, deixar de sonhar.

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