quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Conspiração na Igreja

Galba, em poucas semanas, havia conseguido unificar a Religião Romana na península itálica. Ele teria que esperar mais um tempo até acertar os acordos necessários, para então dar início ao seu projeto nas províncias do império Romano.
A aliança entre as Igrejas e sua união com Magdala juntava em suas mãos a força da Guarda Pretoriana e o clamor da população. Para que seu plano fosse bem sucedido, ele teria que atrair a nobreza e seduzi-la com o poder e a riqueza que a Igreja podia oferecer.
A Religião Antiga resistia em Roma, em salões privados, em cerimônias escondidas, preservada por poucos dos velhos nobres. A helenização ajudou a criar um clima crescente de inadequação dos velhos ritos, mas a jogada de mestre foi o de utilizar o pensamento clássico para dar aos dogmas da Igreja uma fachada de lógica racional.
O plano se desenhava com clareza e precisão na mente de Galba, o que o tornava prudente e prático em cada passo tomado. A concessão do terreno no monte Palatino e a construção da Santa Sede foram calculadas para deixar a Igreja mais próxima do Palácio Imperial, para facilitar o comando de Galba dentro da Igreja, ao mesmo tempo em que diminuía a força de Magdala.
Apesar de Galba ser o Imperador de Roma e Sumo Sacerdote de Mithra, entre os Crestanos ele era considerado como mais um bispo subordinado à Suma Sacerdotisa, Magdala. Para remover Magdala desse trono, Galba teria que apoiar os bispos certos e comprar o apoio de outros, se não substituir ou matar os resistentes ao seu projeto de reestruturação da Igreja.
Tendo Magdala viajado para Bizâncio para transmitir aos bispos dos Crestanos a constituição da Igreja, Galba se aproxima do secretário pessoal de Magdala, o cardeal Lino, considerado o mais provável sucessor de Magdala.
- Saudações, Santo Lino.
- A paz do Senhor Yeshu Crestos, Excelso Augusto Galba César.
- Graças ao Senhor Yeshu e ao Senhor Mithra, Roma está em paz. Mas para que esta paz perdure, nós temos que ser fortes.
- O Senhor Yeshu não abandonaria seu povo, ele é a nossa força.
- Certamente. Mas o Senhor Mithra nos ensina que, muitas vezes, é preciso que nós tenhamos uma atitude. Deus, muitas vezes, espera que nós tenhamos a iniciativa.
- Eu não entendi. O que vós quereis dizer com atitude e iniciativa?
- Simples, meu caro. Roma está firme em seu curso por nossos esforços, coma benção de Deus. Antes, Roma esteve à deriva, porque os Césares se deixaram levar por seus apetites e fraquezas carnais, muitas vezes manipulados por suas mulheres, cortesãs e amantes.
- Então não temos mais com o que nos preocuparmos.
- Oh, não, engana-se meu caro Lino! A união de Roma depende da união da Igreja. Assim como Roma é conduzida por um Imperador, a Igreja deve ser conduzida por um Sumo Sacerdote. Assim como Roma não se sujeita mais aos caprichos das mulheres, a Igreja não pode mais se submeter a elas.
- Mas que absurdo! Todos nós somos irmãs e irmãos em Crestos que contribuem com a obra de Deus.
- E nós não discordamos do valor das mulheres consagradas a Crestos e Mithra. Mas as mulheres são mais frágeis, sensíveis, volúveis, portanto inferiores ao homem. As irmãs continuarão seu serviço, mas se submetendo à hierarquia da Igreja.
- Eu estou começando a vos entender. Realmente, algumas comunidades têm se direcionado perigosamente à heresia e à apostasia por causa da falta de disciplina. Infelizmente não podemos fazer nada, pois a Igreja deve obedecer a Suma Sacerdotisa.
- Sim, meu caro. Mas quando for o desejo de Deus de levar a Suma Sacerdotisa de nós, teremos que estar preparados para a sucessão dela. Se tu me apoiares na moralização da Igreja, tu podes contar com meu apoio para sua aclamação a Sumo Sacerdote.

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