quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Bran cresce

No povoado de Teutos, no vale da montanha Druar, na Saxônia, a presença da nova sidhe desperta a curiosidade dos outros povoados e a inveja das sidhes locais.
Ketar tem vinte anos, mas mantém a mesma exuberância que tinha desde seus doze anos. O talento e a sabedoria que ela tem nas Artes Secretas surpreendem as sidhes que vão visitá-la e maravilham as pessoas que a consultam.
Muitas sidhes vão apenas para desafiar Ketar, certas de que é impossível a alguém tão jovem possuir tanto conhecimento e poder, mas elas desistem ao sentir sua forte aura. Felizmente a maioria vai para trocar experiências, receitas e técnicas para então voltarem ao seu povoado, não mais com um conhecimento fragmentado, mas consistente.
Convites chegam vindo de toda a Saxônia para que Ketar realize as cerimônias aos Deuses Antigos em seus povoados, muitos reis vêm pessoalmente e isso suscita um certo ciúme do rei Roden. Então este tem a idéia de fazer um grande ritual a todos os reinados na Saxônia, com todos os reis e sidhes, para celebrar a Estação da Colheita, no que Ketar concordou, pois ela estava mais interessada no desenvolvimento de seu filho.
Bran tem seis anos, mas demonstra perfeito domínio e habilidade da Arte da Batalha, desconsertando os velhos soldados com a força e resistência que ele demonstra. Roden e Ketar chegam no horário do descanso, onde são distribuídas comida e bebida aos jovens soldados.
- Então, querido, como estão as coisas?
- Estão ótimas, mamãe. Tio Andros tem muita paciência comigo, me ensinando como manejar a espada, seja na batalha, seja no círculo.
- Que bom, querido. Assim que tu estiver com o tio Andros, diga a ele que estamos preparando um grande ritual para toda a Saxônia. Gostaria de ir e ajudar a mamãe?
- Oh sim, eu gostaria muito. Eu ainda não vi a senhora abrir o véu entre os mundos.
- Que bom, meu amor. Da forma como tu estás se desenvolvendo, tu certamente será admitido entre os soldados e passará por um rito de passagem. Eu acharei uma sidhe bem bonita para iniciá-lo na Religião Antiga, no dia do grande ritual.
- Ah, mamãe! Não tem sidhe mais bonita que a senhora!
Ketar ri e abraça seu filho enquanto o rei Roden conversa com Corman, o instrutor dos jovens soldados, que confirma que não há mais o que ensinar a Bran e que ele deve ter sua admissão formal entre os soldados.
Roden vai então ao templo de Wodan, onde os soldados se reúnem e, ao entrar, conversa com os soldados presentes sobre a situação inusitada e especial do jovem Bran. Todos recebem com satisfação e alegria, fazendo questão de ir até a Escola de Armas para anunciar para o dia seguinte o rito de passagem para Corman e Bran.
Ao perceber a chegada da comitiva, Corman se aproxima de Ketar e Bran para avisá-los do que ia ocorrer.
- Sidhe, vosso filho cresceu e não há mais o que eu tenha para ensiná-lo. Ele irá começar sua vida como soldado e defenderá nosso povo.
- Viu? Eu não disse, querido? Em breve tu irá lutar e serás rei.
Corman sabe que deve se calar e deixar a temível sidhe curtir um pouco mais seu filho. A confraria chega e o rei Roden faz o convite formal, acertando para o dia seguinte o rito de passagem.
Mal o sol nasceu, Corman vai até a casa de Bran e o encontra pronto para o rito. O jovem está vestido apenas com uma rústica roupa de couro e armado com uma adaga. Corman o deixa na entrada do povoado com o objetivo de caçar e matar um cervo sagrado, banhar-se em seu sangue, comer seu coração e levar a pele e a cabeça ao templo de Wodan.
No templo de Wodan, os soldados esperam pela chegada de Bran, fazendo apostas, bebendo comendo e fazendo graça às mulheres que lá estão para servi-los. De tempos em tempos, as mulheres ficam do lado de Ketar, a única mulher que não era incomodada, mas não porque Ketar quisesse ser tratada de forma diferente ou que fizesse questão de sua posição como sidhe.
Enquanto seu filho não chega, Ketar tratou de divertir a si e as outras mulheres, provocando os homens, fazendo piadas, comendo, bebendo e apostando. Ela mostra às mulheres que elas são igualmente consagradas, sendo femininas e participando do jogo da sedução.
Por volta do meio dia, Bran chega vitorioso, trazendo seu troféu, sendo efusivamente aclamado por alguns solados enquanto outros resmungavam porque tinham apostas a pagar.

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