sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A devastação se alastra

Em Tamar, Ceres e Eleaser tentam se movimentar entre a população apavorada, tentando fugir da invasão do exército romano com o máximo de pertences. Todos os templos em Tamar foram abandonados e seus sacerdotes carregavam o máximo possível de manuscritos e pertences sagrados, para que não caíssem nas mãos dos sacerdotes Crestanos.
Ao redor da cidade, as centúrias de legionários haviam dominado e fechado todas as entradas de acesso, cercando cada vez mais a cidade, mas sem pressa em tomá-la. O desespero dos habitantes trazia para sua sequiosas mãos os bens e as vidas para serem colhidas.
Conforme o cerco aperta e os habitantes percebem o massacre iminente, uma enorme massa vai se concentrando no pequeno porto, dando início a brigas a mortes entre as pessoas.
Não há navios mercantes em número suficiente, muitas pessoas mergulham no mar, outras tentam tomar os navios à força. Os capitães dos navios que deviam chegar e desembarcar vêem a cena, alguns seguem para outros portos, outros dão meia volta.
Miriam fica sabendo que o capitão de seu navio pretende seguir em frente e só desembarcar em algum porto na Hispânia. Miriam se angustia, pois vê no meio dessa luta pela sobrevivência a sacerdotisa Ceres e Eleaser.
Do lado do porto, Ceres se despede de Miriam, pois os Romanos iniciam a marcha que irá varrer e apagar a cidade de Tamar e seus habitantes da existência.
Como uma orquestra tocando uma ópera belicosa, as catapultas lançam as novas bolas de ferro com fogo grego que explodem tudo ao redor assim que tocam o chão.
Nenhum edifício tem estrutura para suportar tal ataque e se estilhaçam ou caem sobre a população indefesa. As casas, que em maior parte são feitas de madeira, se incendeiam instantaneamente com as fagulhas das explosões, carbonizando famílias inteiras ou asfixiando crianças e bebês com a grossa fumaça.
No segundo movimento dessa opera bélica, os legionários atiram sem parcimônia suas pesadas lanças para atingir as pessoas, trespassando muitos jovens e mulheres.
Os legionários passam então em executar os sobreviventes, sem poupar ninguém do gosto do fio de seus gládios. As espadas seguem golpeando e seccionando cabeças, braços e torsos. O sangue espirra sobre os legionários para depois se juntar aos corpos que vertem rios de sangue.
Ao chegarem ao porto, tudo o que resta de Tamar são ruínas fumegantes sobre um lago de sangue.
Miriam chora copiosamente, sem entender como tal coisa pôde acontecer e se pergunta onde estão seus Deuses agora. Seu pensamento chocalha como o navio onde ela e muitos outros tentam exílio. Uma enorme nau de guerra romana impede o prosseguimento da viagem, com seus ganchos de abordagem e não pretendem fazer prisioneiros.
O último pensamento de Miriam foi se perguntar se valeu a pena todo o esforço e trabalho que ela teve em servir dedicadamente os Deuses Antigos.
No porto, os legionários tocam a trombeta da vitória. Os sacerdotes Crestanos se juntam à festa de triunfo e colocam uma cruz sobre os corpos mutilados, iniciando com os legionários uma oração para agradecer a Deus por ter dado a eles a oportunidade de conquistar e purificar a cidade em nome de Deus.

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