quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Entre os Saxões

Dois meses se passaram, a estrada romana deixou de existir e não há qualquer marco romano indicando a rala trilha por onde Andros e Ketar seguem. Em ambos os lados da trilha, uma floresta exuberante e densa, quase intocada pelo homem.
Em algumas dessas árvores, peles e crânios de animais e de humanos enfeitam os galhos como sinal de aviso aos invasores. Quatro homens surgem na trilha, vindo de dentro da floresta e apontam suas lanças para os viajantes.
- Laedenware?
- Nan. Hofu Gotten peows.
Andros se espanta. Ketar consegue compreender e falar a língua dos bárbaros.
- An cuman nean?
- An cuman Esmirna. Stan cuman Epheso.
- Tu falas bem nossa língua. Quem te ensinou?
- Eu sirvo a Deuses que conhecem todas as línguas.
Os estranhos soldados ficam assustados, baixam as lanças e se ajoelham.
- Perdão, sidhe! Não nos machuque!
- Os Deuses nos ensinam a nenhuma dor causar. Eu vim aqui para criar meu filho e preservar a Antiga Religião.
- Será uma honra e um prazer em receber tua família em nosso povo, sidhe.
Os soldados mostram aos viajantes o caminho pela trilha até o povoado, onde Ketar foi recebida com aclamação.
- Sidhe! Sidhe!
Um homem alto, forte, barbado e usando um elmo feito de ouro se aproxima dos visitantes e acalma os habitantes. Um dos soldados que os tinham acompanhado cochicha algo a este homem, que então dá as boas vindas aos peregrinos.
- Saudações, sidhe! Eu sou Roden, o rei dos Saxões destes vales. A nossa sidhe irá providenciar uma cama para dormir, um quarto para teus pertences e um berço para teu filho.
- Muito obrigada. Assim eu posso trocar idéias com uma sidhe como eu.
Uma velha senhora, que tinha anéis feitos de osso nos cabelos trançados, aproxima-se de Ketar e a saúda com um sinal que Andros lembra de ter visto em Lívia. Certamente este era um sinal de saudação trocado entre as sacerdotisas que existia desde tempos imemoriais.
A velha parou diante de uma amoreira selvagem, próximo a uma casa nova porém abandonada e empoeirada.
- Esta casa era para os jovens Eric e Gilia. Eles estavam para se casar, mas os Romanos vieram e eles morreram na batalha.
- Nesse caso, nós temos que fazer uma oferenda a seus espíritos, para que eles não se ofendam com nossa estadia aqui.
Ketar deixa Bran na cama e pega de seu alforje um punhado de mirra, um maço de sálvia, um maço de alcaçuz e uma raiz de olíbano. Andros estendeu um almofariz enquanto preparava um incensário em cima de uma cômoda. Prestimosamente, Ketar reduziu os ingredientes em pedaços minúsculos e os lançou em cima da brasa no incensário.
Estavam todos bem dispostos, na forma de um triângulo na frente do incensário, prontos para proferir uma runa ao casal falecido, mas foi Bran que se adiantou e mostrou um talento incomum para um menino de quatro anos.

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