segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O exílio de Domiciano

Usando os documentos e as ordens falsificadas dadas pelo Papa Lino, Domiciano foge de Roma, percorre a Gália e chega em Belarum. Ele se dirige até a fortaleza romana e apresenta os papéis ao guarda do portão, que o conduz até o centurião Silvano.
- Marco Leto, legionário da II coorte, X centúria. Tu pareces ser muito jovem. Tu estiveste em combate?
- Sim, como aspirante, durante o terrível incêndio que devastou Roma e nos levantes de Toscana e Vicena.
- Ótimo. Belarum foi recentemente recuperada de seus usurpadores e iremos precisar de legionários com experiências em lidar com os hereges e os pagãos. Tu deves te apresentar ao oficial do dia com esta ordem.
Domiciano se apresenta ao oficial do dia, um germânico desconfiado e arisco por ter sido um dos poucos legionários que restaram da coorte rebelde.
- Muito bem, Marco Leto, tu farás parte das patrulhas na fronteira, em busca de rebeldes. Se tu fizeres um bom serviço, eu te incluirei nas tropas avançadas e poderá participar das conquistas de Roma contra os Godos.
- Isso será feito para a glória de Deus.
- Muito cuidado com o que diz, novato. Nós estamos na fronteira entre o Deus de Roma e os Deuses desse mundo. Aqui mesmo tu hás de encontrar diversas visões e opiniões, não convém se indispor com teus colegas. Se uma adaga cravar em tuas costas, ninguém dará por tua falta.
Domiciano guarda consigo o conselho e saberia dar a resposta num momento mais adequado. O oficial do dia o leva até um grupo de quatro legionários e emite a ordem.
- Muito bem, meninas! Eu trouxe uma novata para que troquem receitas culinárias e conselhos de beleza. Nos intervalos, se não for pedir muito, vós devereis levar a boneca para passear no bosque, para que tenham todas juntas um agradável piquenique com os Godos! Divirtam-se!
O mais velho e mais experiente se levanta e dá as boas vindas com um forte tapa nas costas.
- Bem vindo ao Inferno, novato. Eu sou Patmos, grego. Aquele é Remix, gaulês. O mais escuro é Cratos, trácio. Esse magrelo é Baruc, persa.
- Ave. Eu sou Marco, romano.
- Enfim, a patrulha dos cães terá um romano! Quem sabe agora nós recebamos mérito? Muito bem, novato, fora as regras conhecidas, essa patrulha tem uma única regra que é não falar em Deus, entendido? Nós não pensamos, não discutimos, não ponderamos. Nós nos concentramos no serviço, entendido?
- Perfeitamente.
- Ótimo. Então venha conosco e mostre o que sabe fazer. Vejamos quantos coelhos tu consegues tirar da toca.
A patrulha dos cães atravessam os campos e embrenham-se na floresta acirrada, em busca de sinais de rebeldes ou de Godos. Domiciano percebe facilmente sinais que indicam a presença dos seguidores da Religião Antiga pelo que aprendeu com sua mãe, Magdala. Por simples associação, esses sinais deveriam ser indícios da presença dos rebeldes ou de seus acampamentos, em alguma direção.
- Atenção, colegas, nós estamos muito perto dos rebeldes.
Repentinamente, dois grupos surgem na frente e atrás da patrulha, atacando-a com lanças e espadas.
- Evoe!
- Agrupem! Agrupem!
Domiciano não perde tempo e acerta um golpe fatal naquele que deveria ser o líder do bando, pois tinha um lírio bordado no uniforme, fazendo com que alguns se dispersassem e outros se rendessem.
- Muito bom! Como tu sabia que estavam perto e quem era o líder?
- Eu não posso dizer sem quebrar meu voto com a patrulha dos cães.
- Então tu decides o que fazer com os prisioneiros.
Domiciano os liberta, com a condição de que levem o recado de que ele estava na região. Patmos questionou a decisão de Domiciano.
- Por que os libertou? O que disse a eles?
- Nada do que disserem, mesmo sob tortura, será verdade e nada acrescentará. Se os levássemos, poderíamos arriscar os postos avançados. Livres, eles podem semear o medo com o que eu disse a eles, mas isso é outro segredo.
- Haha! Se tu não fosses romano, eu poderia jurar que tu pertences a alguma escola de mistérios!

Nenhum comentário: