terça-feira, 6 de novembro de 2007

O grande rito

Conforme o sol se põe e a noite chega, milhares de Saxões e bruxos vão se juntando para celebrar a Festa da Colheita. O vale reúne tantas pessoas que é possível circundar a montanha de onde os Deuses desceram;
Enquanto Andros e Bran vão junto com outros sacerdotes e bruxos em busca dos materiais para a cerimônia, Ketar e as outras sidhes se preparam, juntamente com outras sacerdotisas e bruxas, para evocar os quadrantes e invocar os Deuses Antigos.
- Muito bem, minhas irmãs. Nós nos separaremos em nove grupos que irá conduzir nove círculos, para que todas as pessoas possam ouvir e participar do grande rito.
As sacerdotisas concordaram e separaram os grupos conforme a procedência e a sidhe da região coordenaria o círculo. Todas concordaram igualmente que caberia a Ketar a condução geral do grande rito, para manter o ritmo.
Quando as sidhes saem em direção ao público para congregá-los e prepará-los, chegam os bruxos com seus cestos cheios dos [itens necessários. O que agilizou a separação dos materiais para cada círculo.
Conforme as sidhes encontravam os habitantes de suas regiões, os deixavam a par da organização e da posição onde ficariam, de acordo com a direção da região em relação ao grande altar. Cada círculo foi marcado em um espaço de nove léguas, cada um com um altar menor no centro e os quadrantes assinalados. Ao redor de todos os círculos foi traçado um círculo maior e os quadrantes assinalados com grandes torres feitas com troncos.
O grande rito tem início com Andros empunhando sua espada para consagrar o círculo, evocando a presença dos ancestrais e das entidades da natureza para se postarem ao redor, a fim de que haja perfeito amor e perfeita confiança na cerimônia, sendo imitado pelos sacerdotes e bruxos dos demais círculos.
Ao encerrar a evocação, Andros se posta diante do quadrante norte e aguarda Ketar ficar ao lado dele com o incensário. Estando ela do seu lado esquerdo, ambos iniciam a abertura do véu entre os mundos, desenhando o sinal do Guardião da Torre Norte com a espada e evocando-o com o incenso. O mesmo é feito consecutivamente nos quadrantes leste, sul e oeste, mudando apenas os sinais e as evocações.
Novamente diante do quadrante norte, Andros e Ketar passam a invocar a Deusa e o Deus, fazendo os sinais e pronunciando as palavras sagradas, na direção do firmamento e na direção do solo. Uma suave névoa luminescente de cor púrpura surge do altar central e se expande até o horizonte.
Com as palavras sagradas, Andros incorpora o Deus e Ketar incorpora a Deusa, para então ocorrer o Hieros Gamos.
O Deus falou então para toda a humanidade.
- Meus filhos, cantem, dancem, façam música e amor pois o Inverno começou. O Deus dos homens e o homem feito Deus começará sua marcha pelo mundo para espalhar a desolação. Vós nos chamareis, mas não vos atenderemos porque vós colocastes uma separação entre nós. Vossas almas anseiam pelo rigor ascético, a dura certeza da doutrina, a revelação por escrituras. Vós temeis os ciclos da natureza e vós pretendeis eternizar-vos com um Deus idealizado. Vós vivereis e vos fartareis do medo, da ignorância e do terror pelas mãos deste Deus e dos reis que vós coroastes. Vós rejeitastes este mundo e este mundo refletirá vossa rejeição até que a Religião Antiga retorne. Assim vós quisestes, assim será feito.
Em um turbilhão de luz, Ketar se eleva para manifestar a presença e as palavras da Deusa.
- Meus queridos, meus amados! Vós ireis passar por um período de sombras terríveis, mas não vos desanimeis! Assim como certo foi o fim do Verão, a passagem do Outono e a chegada do Inverno, certa é a esperança da Primavera e o retorno do Verão! Verdadeiramente, o trono foi entregue a um Deus estranho, ciumento e vingativo. Por esta bandeira, o mundo irá mergulhar em sangue, povos irão sumir e muitas almas irão se perder. Em busca de respostas e certezas fora de vós, ireis procurar a salvação para aliviar tanto sofrimento e serão devorados pela Besta deste tempo. Vós ireis abandonar o êxtase pela vida pela privação pela virtude. Nossos templos serão escondidos, enterrados, demolidos e nossos nomes serão difamados, deturpados, degenerados. Nós só retornaremos depois que vós mesmos vos libertardes desses grilhões, recuperarem a razão, porem os pés em minha face e redescobrirem o sagrado dentro de vós mesmos e neste mundo. Assim seja!
O Deus abandona Andros e volta ao Submundo. A Deusa, ao se retirar, leva consigo Ketar, deixando no lugar dela uma árvore sagrada com runas gravadas advertindo que quando a árvore fosse cortada, seria o fim da humanidade.
Bran chora por causa de sua mãe, mas leva hidromel a Andros para que ele se recupere as forças. Muito em breve a batalha começará.

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