terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Consolidação

Vindo das fronteiras, as coortes se reúnem mais uma vez em Nicius e avançam em direção à Roma, tendo Domiciano à sua frente. Conspirações, complôs, conluios, conjurações aconteciam com tanta frequência que os cidadãos romanos se acostumaram com essa instabilidade e continuavam com suas vidas ordinárias.
Domiciano chega a tempo para salvar Roma de seus inimigos, os cerca e os espreme contra o enorme muro fortificado que cercava Roma desde a época de Otávio. mas ele não foi suficientemente rápido para evitar a morte de Vespasiano.
Com o fim do conflito, Domiciano é carregado em triunfo até o Senado aonde é proclamado como o sucessor de Vespasiano. No momento em que estava para receber a unção do Papa, revela ao público sua verdadeira identidade e os motivos que o levaram ao exílio. Que sucessores venham de nobres banidos ou exilados não constitui novidade em Roma e há tempos que não é mais importante que César seja da linhagem Juliana.
Em sua aclamação, Domiciano promete o fim das guerras e a confirmação dos tratados. Ele determinou a separação entre o Império e a Igreja, ordenou uma auditoria e investigação de abusos cometidos por bispos e centuriões, decretou a distinção entre os cultos de Mithra e de Crestos.
Enquanto no mundo terreno a dita cultura civilizada assiste seus mais altos dignitários firmarem acordos e convenções que podem ou não serem observados, no mundo astral ocorre outra assembléia. De um lado, os Deuses Antigos e do outro, o Deus dos homens, a sombra da humanidade que ambicionava de egrégora se tornar o Deus Absoluto.
- O que significa isso? Vós me prometestes que eu seria Deus!
- Nunca te prometemos o trono, a coroa e o cetro, pois eis que estas coisas devem ser conquistadas. Apenas concordamos em ceder e nos afastar dos homens, para que tu pudesses seduzi-los e estes devem escolher se submetem a ti ou não.
- A humanidade tem de submeter a mim, pois é viciosa, cruel e maldosa. Somente se submetendo a mim é que a humanidade será purificada!
- Tu ainda não percebeste que foste formado das paixões humanas, mas que te é preciso te fizeres de santo, pois é através da busca da virtude que tu podes dominar a humanidade.
- As paixões são a fraqueza da carne e deste mundo, mas eu venci este mundo!
- Cuidado com o que tu dizes. Nós te geramos do Espírito Humano que, para se desenvolver e amadurecer, tem que resolver o dilema entre o espírito e a carne, não pelo conflito, mas pela comunhão. Enquanto não perceberes e aceitares que não há separação entre espírito e a carne, entre o mundano e o astral, há de reinar conturbado contigo mesmo.
- O único conflito que existe é entre eu e Satan.
- E quem é Satan senão um reflexo de ti mesmo? Tu estás tão deslumbrado com a fantasia que criaste para seduzir os homens que começa a crer que ela é real.
- Eu não vos temo, vosso tempo acabou, nada nem ninguém pode me deter.
- Enquanto o Espírito Humano te conceder, tu serás adorado por muitos nomes. Tu serás conhecido por Ormuz, Yahveh, Mithra, Yeshu, Buda, Krishna, Razão. Por aquilo que representas, os homens estarão dispostos a matar e a morrer. A terra se embebedará com sangue e tu te fartarás com almas. O Aeon de Áries dá lugar ao Aeon de Peixes e este findará ao chegar o Aeon de Aquário. Este é o ciclo da Vida, tudo muda, tudo gira. Rei do Inverno, aproveite teu reinado, pois por mais terrível e absoluto que seja tua coroa, o Espírito Humano há de despertar e a Antiga Religião há de retornar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O confronto

O cenário na fortaleza de Argentum era desolador. Domiciano e Silvano percebem que boa parte da paliçada estava destruída. Os legionários deram as boas vindas ao reforço enquanto colhiam os corpos de seus colegas e os enterravam.
As boas vindas foram interrompidas pelos zunidos de várias flechas que atingiram os sacerdotes Crestanos que vinham no contingente. quando Domiciano ordenou o posicionamento das máquinas de guerra para que atirassem na direção de onde vinham as flechas, estas é que foram atingidas por bolas de fogo que as inutilizou ou destruiu.
Domiciano investigou em uma das máquinas que puderam ser resgatadas o que a atingiu. De alguma forma, os Saxões podiam atirar bolas feitas de algum tipo de betume que era incendiado. Assim mesmo, ordenou que as máquinas restantes atirassem tudo que podiam na direção de onde veio o ataque e em seguida ordenou a carga dos legionários.
Enquanto enviava um mensageiro pedindo mais reforços e mais máquinas, Domiciano embrenhou-se na floresta cerrada junto com seus legionários para combater os Saxões.
Os Saxões tiravam proveito da floresta, escondendo diversas armadilhas para pegar os legionários ou usando a familiaridade que tinham com o terreno para pega-los em pequenas emboscadas, eliminando aos poucos o Exército Romano.
Os Saxões não se rendiam, se capturados encontravam um jeito de cometer suicídio antes que fossem torturados. Havia disposição, organização e estratégia entre os saxões o que fez com que Domiciano gostasse de ter enfim um exército que valorizasse a beleza da batalha para enfrentar. Espada contra espada, lança contra lança, flechas zunindo de ambos os lados e a matança seguia sem misericórdia.
Em um momento, em uma clareira, encotraram-se Bran e Andros de um lado e Domiciano e Silvano de outro. Por alguma força inominável, ninguém mais entrava naquela clareira e os combatentes pareciam ter definido seu adversário muitos anos antes.
Domiciano encara Bran e lembra do encontro que tiveram em Roma há dez anos atrás. Muita coisa mudou, cada um passou por experiências que os amadureceram, mas Bran ainda exala uma aura que causa em Domiciano um sentimento de medo e reverência.
Silvano nunca havia conhecido Andros, ao menos na vida presente, fato que Andros leva em consideração pelo sentimento de ódio tão forte por aquele centurião.
Silvano não acredita nas coisas que o Império Romano lhe exige acreditar e lembra muito pouco das crenças de seu tempo de infância. Tudo que ele sabe e pensa é em lutar e vencer, então parte para atacar Andros e cumprir com seu destino.
Domiciano suspira, ele prefere postergar o conflito, mas não tem escolha. Ele foi destinado a isto e ele representa Roma e Deus. Ele luta com Bran e consigo mesmo, com uma parte dele que nasceu e foi criada na Religião Antiga, luta para vencer seu passado, luta para ganhar seu futuro.
Silvano luta com Andros e se surpreende em encontrar um pagão com um domínio tão refinado da espada. Faíscas saem das espadas enquanto seguem em um balé sequenciado de ataques, defesas e contra ataques. Um corte aqui, uma ferida ali, sangue escorre e espirra, não há hesitação ou vacilo.
Andros consegue golpear Silvano, mas também é atingido. Em um giro, Andros se livra da dor e da espada de Silvano e o golpeia novamente nas costas para encerrar o combate.
Silvano cai sem vida ao solo junto com a chuva e Andros encosta em um carvalho próximo. Sentindo suas forças se esvairem aos poucos, Andros observa o campo de batalha cheio de corpos e poças de sangue, como uma pequena amostra do que estava por vir. Em seu último fôlego, ele vislumbra os Mistérios Antigos desvelados e morre sorrindo.
Domiciano pega e atira um machado que estava caído próximo de um soldado Saxão na direção de Bran, mas não para acertá-lo, seu alvo é uma árvore que um espírito ou anjo enviado por Deus lhe indicou como sendo a fonte do espírito de guerra dos Saxões e do poder de Bran. O machado parte a árvore sagrada deixada pelos Deuses no lugar onde antes estava Ketar.
Por alguns instantes, silêncio e paz, mas os Saxões não pareciam estar dispostos a se renderem. O clima de tensão está alto quando chega um mensageiro vindo de Roma com uma ordem urgente do próprio César.

Vespasiano César, Imperador pela graça de Deus.
Eu convoco para que retornem imediatamente a Roma os comandantes Silvano e Marco, com todas as coortes que estão sob suas ordens, prontos para combater a conjuração formada por senadores, consules, governantes e bispos romanos orientais que vem, seguindo as ordens do General da Maldade, Satan, para tomar e usurpar a coroa de Roma.


Domiciano ordena a retirada do que sobrou de seu exército e envia mensageiros uma cópia da convocação para todas as fortalezas dos territórios conquistados, certo de que este é um sinal de Deus de que ele está marchando para seu triunfo e glória como César, como lhe fora prometido.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Combatendo os Pagãos

Os comandantes seguem de Nicius até Bergumum para conhecer as condições das coortes ali acampadas e as condições do campo de batalha.
Na fortaleza em Bergumum, foram tratar diretamente com um centurião que era também o bispo local que lhes relatou sobre os Dácios, o povo pagão que mais resistia e guerreava contra a Igreja e o Império de Roma.
- Os Dácios se orgulham de ser descendentes dos Frígios e adoram um Deus-Lobo. Os povoados conquistados se mostraram dóceis, mas nossas igrejas são imediatamente atacadas e destruídas nos ataques, onde os Dácios costumam comemorar queimando os pergaminhos com a santa palavra junto com meus sacerdotes.
- Eles são organizados?
- Não parece, mas o ataque de surpresa feito em cargas rápidas nos tem mantido ocupados.
- Muito bem. Construamos mais uma vez a última igreja que foi destruída, para atrair o ataque de um destacamento.
O centurião-bispo torce seu rosto, mas obedece com medo da represália que sofreria de Vespasiano. Reuniu os construtores e lhes prometeu proteção e mais ouro para reerguerem a Igreja de Panônia. Entre os pedreiros e carpinteiros, Domiciano misturou legionários disfarçados e postou uma coorte em um local oculto da vista. Não demorou muito, bastou juntar algumas pedras para as fundações para que os Dácios fizessem seu ataque.
Os Dácios eram muito parecidos com os Godos, mas eram mais morenos e seus trajes pareciam ser feitos de linhas com cores diferentes.
No momento certo, os legionários disfarçados avançaram em um contra-ataque, causando surpresa e desorientação nos atacantes. Quando estes se agruparam para rechaçar os legionários, foram cercados pela coorte e rendidos.
Com os prisioneiros, através de tortura, Domiciano extrai o que pode sobre posições, acampamentos, armamentos e organização do exército dos Dácios.
Mesmo não sendo uma informação completa ou confiável, o bispo-centurião consegue reverter a desvantagem e conquista de forma concreta a região da Panônia.
Satisfeito com o resultado, Domiciano e Silvano seguem para Tullum. O centurião local lhes informa que ali o combate é contra os Francos.
- Os Francos se dizem descendentes dos Celtas e adoram uma Deusa-Lua. Constantemente ouvimos seus tambores, cítaras e flautas soando entre as árvores, anunciando suas cerimônias satânicas. Quem tenta se aventurar por estas florestas acaba esfolado e pendurado nas árvores.
- Muito bem. Tu fizeste as adaptações nas máquinas de guerra?
- Sim e estão prontas para uso.
- Postem as máquinas de guerra e despejem o máximo de fogo grego que puder na direção que os Francos podem estar. Na clareira formada pelo fogo, construa uma Igreja Romana e na cerimônia façam com que essa Deusa-Lua seja caracterizada como um demônio.
O centurião usa todo o estoque, causando uma grande destruição na floresta densa e na clareira aberta improvisa um altar Crestano onde se realiza a cerimônia combinada. Como esperado, os Francos tentam impedir a cerimônia, quando então são vencidos, capturados e torturados. Na manhã seguinte a região do Reno pertencia ao Império Romano.
Sem demora, Domiciano e Silvano partem para Belginum encontrando uma situação diferente. Ali, o centurião tinha problemas de ordem doutrinária entre os Germanos. Parte da região dominada por Roma ainda resistia às encíclicas do Papa e a parte setentrional resistia à idéia de um Deus que se sacrifica ao invés de cair em combate.
A contragosto, Domiciano deu lugar ao seu lado ministerial, reuniu os sacerdotes Crestanos na Germânia Meridional e discutiu os pontos controversos. Na Germânia Setentrional, Domiciano usou do mesmo artifício usado por Cláudio César e comprou o apoio dos reis locais para a causa de Roma.
Sem ser preciso dar uma simples flechada, a conquista da Germânia é consolidada e uma gigantesca missa é celebrada. No dia seguinte, Domiciano e Silvano seguem até Argentum, de onde ouviram rumores sobre os Saxões.