segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O confronto

O cenário na fortaleza de Argentum era desolador. Domiciano e Silvano percebem que boa parte da paliçada estava destruída. Os legionários deram as boas vindas ao reforço enquanto colhiam os corpos de seus colegas e os enterravam.
As boas vindas foram interrompidas pelos zunidos de várias flechas que atingiram os sacerdotes Crestanos que vinham no contingente. quando Domiciano ordenou o posicionamento das máquinas de guerra para que atirassem na direção de onde vinham as flechas, estas é que foram atingidas por bolas de fogo que as inutilizou ou destruiu.
Domiciano investigou em uma das máquinas que puderam ser resgatadas o que a atingiu. De alguma forma, os Saxões podiam atirar bolas feitas de algum tipo de betume que era incendiado. Assim mesmo, ordenou que as máquinas restantes atirassem tudo que podiam na direção de onde veio o ataque e em seguida ordenou a carga dos legionários.
Enquanto enviava um mensageiro pedindo mais reforços e mais máquinas, Domiciano embrenhou-se na floresta cerrada junto com seus legionários para combater os Saxões.
Os Saxões tiravam proveito da floresta, escondendo diversas armadilhas para pegar os legionários ou usando a familiaridade que tinham com o terreno para pega-los em pequenas emboscadas, eliminando aos poucos o Exército Romano.
Os Saxões não se rendiam, se capturados encontravam um jeito de cometer suicídio antes que fossem torturados. Havia disposição, organização e estratégia entre os saxões o que fez com que Domiciano gostasse de ter enfim um exército que valorizasse a beleza da batalha para enfrentar. Espada contra espada, lança contra lança, flechas zunindo de ambos os lados e a matança seguia sem misericórdia.
Em um momento, em uma clareira, encotraram-se Bran e Andros de um lado e Domiciano e Silvano de outro. Por alguma força inominável, ninguém mais entrava naquela clareira e os combatentes pareciam ter definido seu adversário muitos anos antes.
Domiciano encara Bran e lembra do encontro que tiveram em Roma há dez anos atrás. Muita coisa mudou, cada um passou por experiências que os amadureceram, mas Bran ainda exala uma aura que causa em Domiciano um sentimento de medo e reverência.
Silvano nunca havia conhecido Andros, ao menos na vida presente, fato que Andros leva em consideração pelo sentimento de ódio tão forte por aquele centurião.
Silvano não acredita nas coisas que o Império Romano lhe exige acreditar e lembra muito pouco das crenças de seu tempo de infância. Tudo que ele sabe e pensa é em lutar e vencer, então parte para atacar Andros e cumprir com seu destino.
Domiciano suspira, ele prefere postergar o conflito, mas não tem escolha. Ele foi destinado a isto e ele representa Roma e Deus. Ele luta com Bran e consigo mesmo, com uma parte dele que nasceu e foi criada na Religião Antiga, luta para vencer seu passado, luta para ganhar seu futuro.
Silvano luta com Andros e se surpreende em encontrar um pagão com um domínio tão refinado da espada. Faíscas saem das espadas enquanto seguem em um balé sequenciado de ataques, defesas e contra ataques. Um corte aqui, uma ferida ali, sangue escorre e espirra, não há hesitação ou vacilo.
Andros consegue golpear Silvano, mas também é atingido. Em um giro, Andros se livra da dor e da espada de Silvano e o golpeia novamente nas costas para encerrar o combate.
Silvano cai sem vida ao solo junto com a chuva e Andros encosta em um carvalho próximo. Sentindo suas forças se esvairem aos poucos, Andros observa o campo de batalha cheio de corpos e poças de sangue, como uma pequena amostra do que estava por vir. Em seu último fôlego, ele vislumbra os Mistérios Antigos desvelados e morre sorrindo.
Domiciano pega e atira um machado que estava caído próximo de um soldado Saxão na direção de Bran, mas não para acertá-lo, seu alvo é uma árvore que um espírito ou anjo enviado por Deus lhe indicou como sendo a fonte do espírito de guerra dos Saxões e do poder de Bran. O machado parte a árvore sagrada deixada pelos Deuses no lugar onde antes estava Ketar.
Por alguns instantes, silêncio e paz, mas os Saxões não pareciam estar dispostos a se renderem. O clima de tensão está alto quando chega um mensageiro vindo de Roma com uma ordem urgente do próprio César.

Vespasiano César, Imperador pela graça de Deus.
Eu convoco para que retornem imediatamente a Roma os comandantes Silvano e Marco, com todas as coortes que estão sob suas ordens, prontos para combater a conjuração formada por senadores, consules, governantes e bispos romanos orientais que vem, seguindo as ordens do General da Maldade, Satan, para tomar e usurpar a coroa de Roma.


Domiciano ordena a retirada do que sobrou de seu exército e envia mensageiros uma cópia da convocação para todas as fortalezas dos territórios conquistados, certo de que este é um sinal de Deus de que ele está marchando para seu triunfo e glória como César, como lhe fora prometido.

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